Embora oficialmente deva estrear somente na próxima quinta-feira, 19, La La Land, o musical de Damien Chazelle que venceu o Globo de Ouro e detém o recorde de indicações para o Bafta em 2017, passa a ter pré-estreias pagas e é uma grande atração. Um ano após a morte de David Bowie, o astro mutante volta com tudo no belíssimo O Homem Que Caiu na Terra. Quem conhece a ficção científica de Nicolas Roeg vai se chocar com as imagens restauradas; quem nunca viu vai descobrir o enigma de um personagem fascinante. Assassin’s Creed entra com muita ação e o poder de fogo do game, mas Christian Figueiredo, o moleque da internet, pode surpreender com Eu Fico Loko, que tem – preste atenção – belas qualidades. E claro, da Coreia vem o erotismo de A Criada. Park Chan-wook não é mole, não.

Assassin’s Creed

EUA/2016, 115 min. Ação. Dir. Justin Kurzel. Com Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons, Charlotte Rampling.

O game originou uma série de livros de aventuras de Oliver Bowden e um novo volume que acaba de chegar às livrarias. Assassin’ s Creed – The Last Descendants é escrito por Matthew J. Kirby. É nesse último que aparece o Animus, a máquina de viajar no tempo no tempo criada pela dra. Sophie/Marion (mas a história do livro é outra). Cal/Fassbender é a cobaia ideal, por seu DNA, que bate com o de um nobre da era da Inquisição espanhola. Por meio dele, Sophie, e a organização dos Templários, à qual pertence, tentarão chegar à Maçã de Éden .

O artefato mítico poderá dar o controle do mundo a quem o possuir. Mas Cal vai descobrir o enigma de sua origem, e o significado do Credo dos Assassinos. Uma aventura grande, com alguns grandes momentos de ação e beleza visual, mas com um conflito basicamente intimista – a complicada relação entre pais e filhos. O problema é o formato – o Animus, como substituto para o game. Os livros de Bowden – oito – prescindem do recurso. São lineares, como os dos grandes mestres da aventura. E são melhores.

A Criada

Ah-ga-ssi, Coréia do Sul/2016, 145 min. Drama. Dir. Park Chan-Wook. Com Kim Min-Hee, Kim Tae-Ri, Ha Jung-Woo.

Nos anos 1930, a jovem Sookee é contratada para trabalhar para uma herdeira no Japão. Só que a coreana guarda um segredo: está aliada a um trapaceiro que quer se casar com a ricaça e ficar com sua fortuna. Mas a trama tem reviravoltas. Quem está traindo quem? Chan-wook ama as ligações fortes e relações de poder e vampirismo – Oldboy, Sede de Sangue. Dessa vez, criou um relato de intensa beleza visual e pleno de erotismo, com cenas de sexo de cortar o fôlego.

Eu Fico Loko

Brasil/2016, 93 min. Comédia. Dir. Bruno Garotti. Com Christian Figueiredo, Alessandra Negrini, Marcello Airoldi, Suely Franco.

Fenômeno da internet, Christian Figueiredo segue uma via original. Ele não é o protagonista do próprio filme, intervindo em momentos pontuais, ao mesmo tempo que um garoto faz seu papel, o do nerd que não encontra seu lugar no mundo até que… O formato do filme dialoga com Curtindo a Vida Adoidado, um clássico do cinema teen dos EUA. E Suely Franco, como a avó, tem a cena mais emocionante. Ela também está em Minha Mãe É Uma Peça 2, e Paulo Gustavo está batendo todos os recordes do mercado. Christrian entra para não fazer feio. E seu filme tem qualidades para fazer bonito.

O Homem que Caiu na Terra

The Man Who Fell to Earth, EUA-Reino Unido/1976, 139 min. Ficção Científica. Dir. Nicolas Roeg. Com David Bowie, Candy Clark.

Um ano após a morte de David Bowie, ele volta às tela, eternizado pelo cinema, e com um filme de muito prestígio. Faz alienígena que chega à Terra em busca de água para seu planeta que está se extinguindo. Fica, constrói um império mas é atormentado pela lembrança dos seus. Ex-diretor de fotografia, Roeg fez um filme suntuoso, rico em significados e que vai além da beleza formal (e visual). A versão que agora retorna foi restaurada.