Quando foi convidado para atuar em Os ricos também choram, Márcio Kieling iria viver o vilão Pedro, papel que acabou nas mãos de Thierry Figueira. Mas, lendo a sinopse da novela, quem primeiro chamou sua atenção foi Alberto, um mocinho nada típico, mulherengo e preocupado exclusivamente em curtir a vida. "Bati o olho nele e pensei: ‘Este personagem é muito bom’", lembra Márcio. Pouco tempo depois, ele se surpreendeu com uma ligação do produtor de elenco do SBT, Fernando Rancoletta, que sugeriu a troca de personagens após Iran Malfitano, inicialmente escalado para o papel do protagonista, não fechar contrato com a emissora. Hoje na pele de Alberto, Márcio não poderia estar mais satisfeito. "Ele traz humor para a novela, deixa o drama para os outros. Estou me divertindo muito", derrama-se o ator.

Com 27 anos de idade e sete de carreira, esta é a primeira vez que Márcio protagoniza uma novela. É também seu primeiro trabalho fora da Globo, onde estreou, em Pecado Capital, de 1998. Depois disso, o ator passou dois anos no "folheteen" Malhação e viveu personagens coadjuvantes nas novelas Desejos de Mulher e Agora é que são elas. A possibilidade de viver o personagem central de uma novela foi o que mais motivou Márcio a aceitar o convite do SBT. Ele acha que, na Globo, pelo menos por enquanto, ainda não teria chances de encarar um papel de tamanho destaque. "É bom porque posso mostrar meu trabalho e, assim, alfinetar um pouco as outras emissoras. Se der certo, fica todo mundo de olho", provoca o ator, com um sorriso no canto dos lábios.

O trabalho na novela começou bem antes das gravações da novela. Sem nunca ter feito um personagem de época, Márcio mergulhou nos livros de História e assistiu a diversos filmes passados na década de 1930. O ator ainda está surpreso com o que aprendeu. "Nunca tinha estudado tão profundamente esta época e vi como foi rica, cheia de conflitos", constata Márcio, que também procurou "trocar figurinhas" com Jonas Bloch e Felipe Folgosi, que vivem Coronel Domingues e Bernardo, respectivamente pai e irmão de Alberto.

Outra boa novidade foi o perfil do personagem. Se interpretasse Pedro, Márcio estaria acrescentando mais um vilão à "turma" formada por Perereca, de Malhação, e Beto, de Desejos de Mulher. Já o mocinho da história ainda não tinha aparecido entre os tipos a que ele já deu vida. Principalmente, ele gosta de ressaltar, um mocinho como Alberto. "De cara, as pessoas percebem que ele não é o bom-moço. A novela se passa numa época conturbada e ele não está nem aí. Só quer gastar o dinheiro do pai", define o ator. Graças a este caráter "pouco convencional" do protagonista, Márcio acredita até que ele vá perder alguns pontos na torcida do público pela conquista do coração da mocinha Mariana, interpretada por Thaís Fersoza. "Pode ser que torçam pelo Bernardo. Mas, depois, o público vai ver que tem de torcer mesmo é pelo Alberto", aposta Márcio.

Tanta confiança não é apenas defesa apaixonada do personagem. Márcio sabe que, ao longo da história, Alberto vai passar por profundas transformações. Ao descobrir que o irmão vai se casar com Mariana, ele se alista nas fileiras da Revolução de 1932. Depois some, é dado como morto e retorna como mendigo, quando será desveladamente tratado por Olga, personagem de Flávia Monteiro, com quem viverá um romance. Com tantos acontecimentos, ele acaba deixando de lado o estilo irresponsável. "Vai ser uma mudança muito bem-vinda. Não me recordo de outra novela em que o protagonista passasse por tantas transformações", exagera, sem conseguir esconder a empolgação.