A Orquestra do Século XVIII
de Amsterdã: rigor histórico.

Se você fechar os olhos, será como se estivesse assistindo a um concerto de uma das melhores orquestras do mundo, em um grande teatro europeu, no final da Idade Moderna. Conhecida pelo rigor histórico e pela interpretação fiel à época das composições, inclusive nos instrumentos, a Orquestra do Século XVIII de Amsterdã se apresenta este final de semana no Canal da Música.

É a primeira vez que uma orquestra de primeira linha do cenário mundial apresenta dois programas diferentes na cidade, o que é comum apenas nos principais centros do mundo. No sábado, às 20h, a orquestra apresenta obras de Mozart. No domingo, às 19h, é a vez de Haydn, Mozart e Mendelssohn. Os destaques são os solistas Thomas Zehetmair, violinista e regente, o clarinetista Eric Hoeprich e o flautista brasileiro Ricardo Kanji, entre outros.

Na Noite Mozart, sábado, serão mostradas a Sinfonia Concertante para Violino e Viola em Mi Bemol Maior, K 364 e a Sinfonia nº. 39 em Si Bemol Maior, K. 543. No domingo, a orquestra apresenta a Sinfonia nº 83, em Sol Maior, A Galinha, de Joseph Haydn; o Concerto nº 1 para Violino em Lá Maior, k. 207, de Wolfgang Amadeus Mozart e a Sinfonia nº 1 em Dó Menor, opus 11, uma obra da juventude de Félix Mendelssohn e pouco tocada no Brasil.

É a segunda vez que a orquestra holandesa vem a Curitiba. Em 1999, realizou um concerto no Teatro Guaíra, apontado como um dos melhores do ano na cidade. A capital paranaense foi uma das 270 cidades do mundo que tiveram o privilégio de receber a Orquestra do Século XVIII, que em 65 turnês mundiais tocou nos 5 continentes e em grandes centros como Nova Iorque, Berlim, Moscou, Tóquio, Paris, Londres, Roma, Viena, Madri e outros.

Nesta segunda turnê brasileira, que também inclui concertos no Rio de Janeiro e em São Paulo, a orquestra escolheu Curitiba para a gravação do Concerto nº 1 para violino em lá maior, k. 207, de Mozart, que tem como solista Thomas Zehetmair. A orquestra geralmente grava seus discos nas turnês que realiza pelo mundo.

Referência

Referência obrigatória quando se fala em interpretação histórica, a Orquestra do Século XVIII foi criada em 1981 pelo flautista e maestro Franz Brüggen. Ele convidou pessoalmente músicos de 18 países diferentes, todos especialistas na música do século XVIII e XIV e que tocam instrumentos de época ou em cópias contemporâneas. A qualidade da Orquestra e a pertinência do projeto levaram-na a gravar mais de 60 discos pelo selo Phillips, com vários prêmios internacionais. Atualmente a Orquestra grava pelo selo Glossa, que pertence ao violista espanhol Emilio Moreno.

Do ponto de vista do tamanho e estrutura, a Orquestra do Século XVIII é considerada uma luxuosa orquestra clássica (com cerca de 40 integrantes), tal como existia em Londres, Paris ou Viena. No início de sua formação ela era apoiada financeiramente por associações de amigos do mundo inteiro. Continuou a existir graças à Fundação Príncipe Bernard e ao apoio do governo holandês. De 1983 a 1988 a Orquestra foi patrocinada pela IBM Europe. Desde 1989, o grupo Deloite & Touche (ex-TRN Group) responsabiliza-se pelo patrocínio.

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O Canal da Música fica na Rua Júlio Perneta, 695, nas Mercês. Ingressos à venda nas Livrarias Curitiba e no local, a R$ 20 (um espetáculo) e R$ 30 (as duas noites de concerto). Mais informações pelo telefone (41) 331-7500.