O Corvo, nova peça do grupo Delírio, nas palavras do autor e diretor Edson Bueno, é “uma alegoria sobre a obra de Edgar Allan Poe”. Segundo ele, a leitura da obra do escritor e poeta norte-americano inspirou a criação de um texto novo, não uma adaptação do famoso poema do mesmo nome, mas uma obra de ficção com vida própria.

A proposta é uma reflexão sobre os três temas que nortearam a vida desregada do grande escritor: o vício, como contraposição à beleza estética; a melancolia em oposição ao prazer da vida, do amor e do sexo, e a neurose, como reflexo da negação da própria identidade. Criador do gênero policial e referência a um tipo de narrativa que tem como característica o terror metafísico, Poe era um homem infeliz, preso pelas circunstâncias de uma existência dolorosa. Morreu aos 40 anos, entregue ao vício do alcoolismo, à melancolia e à neurose.

O Grupo Delírio conta a história de um professor, amante e estudioso da obra de Edgar Allan Poe, que recluso e introvertido vive unicamente para suas leituras e para as recordações de um passado glorioso com a mulher que amou, agora morta. Até que recebe a inesperada visita de três jovens também apaixonados por Poe, não apenas por sua obras, mas por suas terríveis obsessões. A literatura então toma forma de vida presente e a percepção que o professor passas a ter da obra de Poe e da sua própria vida toma novo sentido.

No elenco estão Luiz Carlos Pazello, Odelair Rodrigues, Maíra Weber, Elder Dátry, Pagu, Tiago Luz e Leandro Daniel. Os cenários são de Gelson Daniel, que no ano passado conquistou o Prêmio Shell de melhor cenografia pelo seu trabalho na peça Da arte de subir em telhados. A iluminação está a cargo de Beto Bruel, Prêmio Shell de melhor iluminação na peça Memórias da Água; sonoplastia é de Chico Nogueira, e os figurinos, de Eduardo Giacomini.

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Em cartaz no Teatro Cleon Jacques (Centro de Criatividade de Curitiba – Parque São Lourenço), até 15 de dezembro, de quarta-feira a domingo, às 20h. Ingressos quatro e dois reais.