Uma grande paixão, que passa bem longe de ser uma obrigação ou até mesmo uma forma de ganhar a vida. A poesia é assim: está intrínseca em todas as pessoas, mas é apresentada apenas por aqueles que conseguem transpor seus pensamentos e sentimentos para o papel, os poetas. No Dia Nacional do Poeta, comemorado hoje, O Estado conta as características dessa forma de literatura, que formou grandes nomes no Paraná, tais como Paulo Leminski e Helena Colody.

Para o poeta e escritor José Carlos Correia Leite, o Zeca, a data comemorativa de hoje é destinada a todos, não apenas aos poetas. “Todos os dias são especiais, pois comemoramos vivendo. Em todos eles devemos celebrar o dia do poeta, seja nos momentos de alegria ou não. A poesia é intrínseca a todos, basta desenvolvê-la e colocá-la no papel. Se existe o dia do poeta, existe o dia de todo mundo”, conta.

Já para o poeta e escritor Leopoldo Scherner, de 91 anos de idade, a figura do poeta foi bem definida por Fernando Pessoa. “Ele tem razão quando diz que o poeta é um fingidor. O poeta vai além do que uma pessoa normal está entendendo. Para criticar ou entender, porém, é preciso ter conhecimento e sensibilidade, principalmente na poesia atual e no pós-modernismo. É complexo, mas o leitor é um colaborador do próprio autor do poema”, diz Scherner.

O baixo índice de leitura no Brasil pode ser considerado um empecilho para os poetas brasileiros. “A poesia no Brasil está bastante pobre. Temos talentos jovens que estão tentando, mas sempre falei, como professor, que jovens entendem mal a coisa. Entendem que devem dizer um belíssimo palavrão, o que não é verdade. O palavrão é chulo, tem ocasião específica para ser utilizado”, afirma o poeta. Já para Zeca, ser poeta no Brasil é uma sina. “Se nasceu para a poesia não tem muita saída. A questão da leitura é muito individual, pois o olhar para a poesia é algo muito particular. Muitos que ingressam nesse caminho acabam descobrindo como é bonito depois”, diz.

Para Zeca, que tem mais de oito livros publicados na área, o maior desafio como poeta é passar para o papel a emoção sentida no momento, mas com bom gosto. “Aquele negócio de transgredir e ficar jogando palavras não é muito minha praia. O grande desafio é saber como colocar a emoção em palavras, não domar a emoção, mas respeitar as palavras. É como convidar gentilmente a emoção para se expor no papel”, conta.

Portanto, para aqueles que têm boas ideias na cabeça, mas ainda não as passaram para o papel, nada melhor do que começar isso no dia mais propício do ano para os poetas. “Ter persistência é essencial para quem ainda não passou seus pensamentos para o papel, bem como respeito, intimidade e humildade. Trate as palavras com muito carinho. Não precisa estar com o dicionário ao lado, mas escrever de maneira simples, de forma humana e universal”, diz. Segundo Scherner, para escrever bem é preciso ter domínio da língua portuguesa. “Isso é necessário e válido para qualquer escritor, caso contrário ele não saberá expressar bem o que quer dizer. Além disso, é essencial ler muito, dos antigos aos modernos. Com isso entende-se bem a língua, tornando-se assim um grande autor”, ressalta.