Composta a pedido do Ministério da Cultura brasileiro para ser o tema da Saison (Ano do Brasil na França), Sob o Mesmo Céu, de Lenine e Lula Queiroga, traduz bem o espírito musical do evento, que é o de mostrar a diversidade rítmica e temática do País. A canção está no roteiro do concerto Oi Brasil!, da Orchestre National d?Île de France, regida pelo maestro David Levi, que terá Lenine como convidado ao lado de um coro de 1.500 crianças. O concerto, que será realizado no Zénith, de Paris, no dia 24 de junho, é um dos destaques da programação musical da Saison.  

São Paulo – O roteiro terá 12 canções de Lenine e de seus parceiros -como Paciência, O silêncio das estrelas, Miragem do Porto, Jack Soul Brasileiro -, clássicos da MPB (Aquarela do Brasil, Asa branca e Garota de Ipanema) e duas peças sinfônicas de Darius Milhaud (Saudades do Brasil) e Ottorino Respighi (Impressions Brésiliennes). ?Os ensaios têm sido maravilhosos?, conta Lenine, de Paris. ?As crianças têm me surpreendido a cada encontro, elas estão estudando as músicas desde janeiro com os professores de cada escola. Como não falam português, além das canções, precisam aprender as nuances dos fonemas.?

Os arranjos foram feitos metade por franceses, metade por brasileiros como Ruriá Duprat, Rodrigo Morte e Thiago Costa. Celso Alvin, integrante da Parede, ficou responsável pela percussão.

Para Bruno Boulay, diretor do Escritório da Música Francesa no Brasil (Bemf), ligado ao Consulado da França, Lenine (que transita com desenvoltura no meio musical francês desde 1997), é um bom exemplo do perfil da Saison. ?É um artista muito importante na conexão entre a tradição do Brasil e o som novo, mundial?, diz. ?Nós franceses gostamos também de música consistente como a dele. Talvez por isso a axé music não entre lá, a não ser numa festa, mas não tem amanhã.? Por outro lado ele observa que, se a França sempre gostou de música brasileira, foi mais pelo lado dos clichês do samba e do carnaval, agora é mais uma oportunidade para ampliar o conhecimento.

Há um equilíbrio entre grandes nomes e artistas em início de carreira como Renata Rosa e o grupo pernambucano Samba de Coco Raízes de Arcoverde – revelados no projeto Rumos do Itaú Cultural, que também entrou como parceiro no evento. ?Paris é sempre o carro-chefe, mas há projetos espalhados por várias cidadezinhas, no Norte e no Sul, para um público que não conhece música brasileira, que talvez tenha ouvido bossa nova ou samba, sem saber que é do Brasil.?

Maria Rita, Milton Nascimento, Marcelo D2, entre outros, já fizeram apresentações marcantes na Saison. Mas os grandes momentos serão no período dos festivais de verão, entre junho e agosto. ?Festivais de verão são ideais para encontrar um público muito aberto?, diz Boulay. O de Rio Loco, em Toulouse, vai ter cinco dias só de música brasileira.

Há três anos, o trabalho do Bemf tem sido promover no Brasil ?não só a música francesa, mas toda música produzida na França, seja árabe, rap africano, jazz, rock regional?. Há mais de dois anos, seus comissariados inverteram os papéis, dando suporte para criar uma ampla vitrine da música brasileira lá. ?Como nossa primeira função é informar, produzimos com apoio do governo francês várias ferramentas para os profissionais franceses saberem mais sobre a produção musical brasileira. Não concebemos promover a música sem estabelecer intercâmbios?, diz Boulay. Lenine é testemunha do resultado.