O Paraná estará representado em um dos principais festivais de documentários da América Latina, o Tudo é verdade. Fernando Severo, catarinense de nascimento mas radicado em Curitiba, vai apresentar na mostra competitiva do evento o inédito documentário Xetá, sobre esta etnia de índios que praticamente foi dizimada no Estado.

Os índios xetás foram descobertos na década de 1940 e hoje restam apenas alguns remanescentes da comunidade. O Tudo é verdade acontece entre os dias 8 e 18 de abril, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Severo, que também é supervisor do curso de Cinema Digital do Centro Europeu, se interessou pelo tema após fazer um documentário sobre o cineastra Wladimir Kozak, que fez as primeiras imagens dos xetás.

“Busquei informações sobre a vida de Kozak e me interessei pela história. Muito tempo depois li a tese de mestrado da antropóloga Carmem Lúcia da Silva, que foi a grande pesquisadora dos xetás e promoveu o primeiro encontro dos sobreviventes”, comenta Severo, diretor do documentário.

As filmagens ocorreram entre o final de 2006 e o início de 2007, sendo produzido pela WG7BR. O documentário foi finalizado em meados de 2009, mas Severo preferiu guardar para a inscrição no festival. É um material inédito, com estreia nacional durante o Tudo é verdade. O lançamento em Curitiba deve acontecer ainda no primeiro semestre de 2010.

Xetá possui uma mistura de estilos, de acordo com Severo. O documentário traz depoimentos e informações precisas, mas ao mesmo tempo leva ao público uma visão poética sobre a etnia e tudo o que aconteceu com os índios. “Fui até a região (no noroeste do Estado) e levei os sobreviventes dos xetás e os seus descendentes. Eles visitaram os locais onde moravam originalmente”, relata.

Esta é a segunda vez que Fernando Severo participa do Tudo é verdade. Em 2003, ele esteve no festival com o documentário Visionários, filmado no norte do Paraná, onde dois lavradores montaram um santuário para esperar o fim do mundo.