O sucesso de uma produção televisiva não se mede apenas pelos números do Ibope. Hoje em dia, o número de vendagens dos livros sobre quadros de programas, novelas, minisséries e até reportagens também são um indicativo de êxito de uma produção. Nessa onda de programas de televisão que tentam virar best sellers, editoras como a Objetiva, Record e Globo descobriram um rentável filão do mercado. Mas essa nova vertente literária deixa uma dúvida: qual é o tipo de leitor que consome livros como, por exemplo, o Seu Creysson, Vídia I Óbria, da Objetiva, baseado no iletrado personagem da turma do Casseta & Planeta, Urgente!. ?O fenôminio? Seu Creysson já faz parte do cotidiano brasileiro e o público que compra é o mesmo que procura outros livros e gosta de humor?, acredita o humorista Beto Silva.

Mas segundo o jornalista Zeca Camargo, que publicou pela editora Globo o livro A Fantástica Volta ao Mundo através de uma parceria com o dominical Fantástico – que já lançou livros como Me Leva Brasil, de Maurício Kubrusly -, o tipo de leitor de livros de programas ou quadros na tevê é aquele que apenas se identifica com a produção e gostaria de conhecer a fundo o que é mostrado na tevê. ?Esses livros despertam a curiosidade de muita gente que nunca leu um livro. Me emociono porque muitas pessoas dizem que este foi o primeiro livro que elas leram na vida?, entrega Zeca, que já alcançou a marca de quase 29 mil livros vendidos.

Este vasto mercado de leitores-telespectadores não está nos planos de Luciana Villas-Boas, diretora editorial da Record. A editora, que já lançou livros de jornalistas da Globo, como o Abusado, de Caco Barcellos – que já passou dos 100 mil exemplares vendidos -, garante que a Record, diferentemente de outras editoras que lançam livros sobre televisão, só se interessa pelo conteúdo das obras, independentemente de seus autores. ?Pode ser um grande nome, mas antes precisa ser um grande livro?, valoriza Luciana. ?Não quero fazer livro de Ratinho ou de um BBB. Isso não me interessa porque eles falam com um público que não consome livros. Pode até vender muito, mas não tem conteúdo?, dispara.

Na contramão da linha intelectualizada de lançamentos editoriais, a editora Globo investe pesado em produções aparentemente vendáveis da própria emissora, como em livros de minisséries, novelas e até livro de receitas, como o Chocolate Com Pimenta, inspirado na trama homônima de Walcyr Carrasco, que chegou a vender mais de seis mil exemplares. ?Sem dúvida é um bom negócio lançar livros de novelas e temas televisivos porque o público da tevê é bem amplo?, avalia Maria Cristina Fernandes da Silva, coordenadora editorial da editora Globo.

No caso da editora Globo, na hora de decidir se uma obra merece ou não receber uma versão impressa, a decisão fica a cargo tanto da emissora quanto da editora. ?É uma via de mão dupla. Temos uma boa sinergia?, destaca Maria Cristina, que costuma avaliar temas que interessem a diversas camadas culturais.

Livros de minisséries como Hoje É Dia de Maria, por exemplo, atingem um público mais restrito, o mesmo que se interessa por teatro, e não passa de cinco mil cópias. Já o livro da novela O Clone, por exemplo, vendeu quase dez mil exemplares. De acordo com os responsáveis pela Globo Marcas, o critério é baseado no interesse demonstrado pelo telespectador, muitas vezes descoberto também em pesquisas da Globo realizadas para o programa.

Já os autores de dramaturgia muitas vezes pegam carona na curiosidade do público por suas novelas. Aguinaldo Silva, por exemplo, recentemente relançou o livro Prendam Giovanni Improtta – publicado há 20 anos com o nome de O Homem Que Comprou o Rio -, por conta do sucesso do personagem do ex-bicheiro interpretado por José Wilker em Senhora do Destino. Este ano Aguinaldo se prepara para lançar um livro de ficção que aborda os bastidores da televisão: 98 Tiros de Audiência.

?Ele se passa nas coxias de uma novela das oito. Vai dar ibope?, brinca o autor.