O anúncio do projeto do diretor Oliver Stone para um longa-metragem sobre os atentados de 11 de setembro de 2001 foi o primeiro passo para que a indústria de Hollywood finalmente lance mão desse tema que, até agora, era considerado um tabu.

Los Angeles (AG) – Além do filme de Stone, ainda sem título, a ex-produtora de TV, Linda Ellman, anunciou esta semana a realização de um filme sobre os mesmos acontecimentos, que chocaram o mundo há quatro anos. Mas, no caso de On Native Soil: The Documentary of the 9/11 Comission Report, a linguagem será documental e terá Hillary Swank e Kevin Costner como narradores.

Outra iniciativa é do estúdio Columbia, que pretende adaptar o livro 102 minutos, obra de ficção baseada nos atentados. Mas ainda não há roteiro ou distribuição negociada para o filme.

A indústria hollywoodiana demorou para abordar o assunto, preocupada com a reação o público diante de um dos momentos mais delicados da história do país. Segundo o cineasta Spike Lee, a medida foi uma espécie de auto-censura.

?Veremos de tudo: primeiro filmes ruins para a TV e logo algum blockbuster. Mas chegará também um momento de equilíbro, a hora de falar de algo que precisa ser contado?, afirmou o diretor americano.

O cineasta Oliver Stone revelou que seu filme será centrado nos terroristas, seus motivos e a política existente por detrás dos atentados. Em uma primeira leitura do roteiro, publicado no Los Angeles Times, a trama parece um típico filme hollywoodiano de desastres, que conta a história de dois homens – um policial novato e seu chefe – soterrados embaixo de seis metros de escombros, que esperam mais de quatorze horas para serem resgatados.

Trata-se de uma história real, dos agentes Will Jimeno e John McLoughlin, dois dos últimos sobreviventes do ataque às torres gêmeas. McLoughlin será interpretado por Nicolas Cage, num ?retrato realista de como a humanidade se impôs sobre os trágicos acontecimentos?, asseguraram os estúdios Paramount ao anunciar a produção.

Os realizadores do documentário On Native Soil esperam que a obra chegue às telas antes do final do ano. O filme contará com entrevistas de cinco sobreviventes e análises das recomendações da comissão do 11 de setembro. Hillary Swank e Kevin Costner não vêem a hora de se dedicar ao projeto.

?Estou orgulhosa de contribuir ao projeto com minha voz, se assim puder fazer com que as vozes dos sobreviventes sejam ouvidas?, afirmou Swank.

Se Hollywood está disposta a romper o tabu do terrorismo, o mesmo não parece acontecer com o público.

Na opinião da crítica, as alegorias ao 11 de setembro incluídas no filme A Guerra dos Mundos podem ter custado uma melhor performance do filme na venda de ingressos.