Não há erros a apontar na apresentação que Eric Clapton fez, anteontem à noite, para 45 mil pessoas no estádio do Morumbi, em São Paulo, fechando sua turnê brasileira. Com um show perfeito do ponto de vista profissional, técnico e musical, o guitarrista poderia ter transformado sua passagem por aquele palco em algo memorável, digno de entrar para os anais das melhores apresentações que já passaram pelo País. Mas não bem foi assim.

A título de comparação, já que Clapton divide com Paul McCartney o rol dos ídolos do rock, todos os cinco shows que o ex-beatle fez no Brasil, entre 2010 e início deste ano, foram inesquecíveis. Já o de Clapton, a sensação que ficou foi de que este foi apenas mais um show. Perfeito, mas frio. E que talvez seja esquecido daqui a alguns meses.

Nem o repertório, que ele costuma modificar bastante entre um show e outro, sofreu tantas alterações assim. Foi sentida a ausência de “I Shot The Sheriff”, clássico de Bob Marley, que ganhou uma versão bem mais elaborada em sua guitarra e foi apresentada no show do Rio de Janeiro.

Além disso, a noite fria e a fina garoa incomodaram as pessoas que ficaram sentadas em cadeiras enfileiradas no gramado. Sobre este ponto, aliás, cabe uma observação. Como se tratou de um show de blues, ao qual a maioria das pessoas foi com a expectativa de se deslumbrar com a habilidade de Clapton na guitarra, teria sido melhor se a apresentação fosse feita num lugar menor e fechado. Num estádio, o público teve de se contentar em assistir de longe, ampliando ainda mais a sensação de que se tratou de uma performance protocolar.

Eric Clapton, como bom britânico, entrou no palco pontualmente às 21h. Antes de começar a cantar, dedicou o show ao piloto brasileiro de Fórmula 1 Felipe Massa. Assim como o amigo e ex-beatle George Harrison, o guitarrista também é fã de automobilismo e da Ferrari. E, sempre que pode, assiste às corridas do box da escuderia italiana. Foi desta forma que ele conheceu Felipe Massa. Ao piloto, inclusive, Clapton já havia dado uma guitarra.

A apresentação foi aberta com duas canções da década de 70, quando Clapton pertencia à banda Derek and the Dominos: “Key to Highway” e “Tell The Truth”. Em seguida, apresentou o blues “Hoochie Coochie Man”, do álbum “From the Cradle” (1994). Sem falar com a plateia, seu contato com ela limitava-se apenas a diplomáticos obrigados, em inglês, ao término de cada música.

De seus maiores sucessos, Clapton tocou “Wonderful Tonight”, “Little Queen Of Spades” (cover de Robert Johnson), “Cocaine” e “Crossroads”. “Layla”, uma das músicas mais aguardadas da noite, foi apresentada com arranjos diferentes, que a deixaram mais lenta, completamente diferente da original. O guitarrista voltou para o bis para executar apenas “Crossroads”. As informações são do Jornal da Tarde.