Mexicana nascida em Paris em 1933 e pouco conhecida dos leitores brasileiros, Elena Poniatowska venceu ontem, 19, o Prêmio Cervantes, o mais importante de língua espanhola e que já reconheceu, desde 1976, o trabalho de, entre outros, Jorge Luis Borges, Octavio Paz, Ernesto Sabato e Mario Vargas Llosa. Ela é a quarta mulher na lista dos ganhadores da premiação que paga 125 mil euros. As outras foram María Zambrano, Ana María Matute e Dulce María Loynaz.

O júri justificou a escolha dizendo que Poniatowska tem uma brilhante trajetória literária, uma dedicação exemplar ao jornalismo, que ela exerce até hoje, e um firme compromisso com a história contemporânea.

Aos 81 anos e moradora da Cidade do México, Poniatowska foi surpreendida pelo prêmio, que chamou de “presente dos céus”. “Não esperava. Me acordaram com essa ligação e tem sido uma enorme alegria desde então”, disse à EFE. E completou: “Creio que escrevo porque esta é minha maneira de estar sobre a terra, de justificar minha presença”.

Apenas um de seus livros foi publicado aqui. A Pele do Céu (Objetiva) saiu em 2003 e tem como protagonista o mexicano Lorenzo, astrônomo e militante político de esquerda. A obra o acompanha desde a infância e acaba por fazer um retrato de seu país nos anos 1970. Mas sua obra é vasta e inclui livros célebres como La Noche de Tlatelolco, Tinísima, Leonora e Las Palabras del Árbol – biografia de Octavio Paz.

Está previsto para sair em março, em espanhol, o inédito El Universo o la Nada. Por ora, ela trabalha na biografia de seu marido morto em 1988, Guillermo Haro, que dedicou a vida à astronomia e à física.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.