O músico e ator gaúcho Hique Gomez, que, junto a Nico Nicolaiewsky (1957-2014), criou, em 1984, o musical Tangos & Tragédias, pode acusar de plágio a equipe responsável pelo espetáculo Let’s Duet – Homenagem a Malitchewsky, que, como noticiou o jornal O Estado de S.Paulo, estreou no último dia 3 em São Paulo. A polêmica foi divulgada em um blog do diário gaúcho Zero Hora.

“O público está mais revoltado que eu”, diz Gomez, que tomou conhecimento do caso ao ler várias manifestações de fãs indignados na página do Tangos & Tragédias no Facebook. Como não assistiu ao espetáculo e não tem informações precisas sobre a encenação, o gaúcho afirma que ainda não pode fazer uma acusação formal. “Vi apenas uma foto, que, de tão parecida, pensei que fosse minha”, diz. Ele deve conversar com a viúva de Nicolaiewsky, Márcia, e com as pessoas que administram o legado do ator para saber que posição tomar.

Em um post do Facebook, Gomez aponta que alguns temas de Let’s Duet “tocam a nossa obra de maneira precisa” e cita como exemplos a semelhança física das personagens, sua origem, os instrumentos musicais que aparecem nas fotos de divulgação, o uso de sucessos do pop em versões de música clássica e uma urna que guarda as cinzas do maestro Malitchewsky – destacando que esse nome se parece com o de Nicolaiewsky. Gomez afirma que foi convidado a assistir ao musical antes da polêmica e, apesar de ter percebido semelhanças na ocasião, entendeu que um quadro da encenação prestaria uma homenagem ao Tangos.

Procurado pela reportagem, Gustavo Miranda Ángel, que dirige e atua no espetáculo, não respondeu até o fechamento desta edição. Também via Facebook, a página do espetáculo Let’s Duet postou, na última terça-feira, uma nota de esclarecimento sobre o caso. No texto, a equipe explica que o musical foi criado de forma genuína, com o único intuito de fazer humor. Destaca que as propostas dos espetáculos são diferentes, visto que os personagens de Let’s Duet não interagem com a plateia e coloca, no enredo, um narrador oculto.

Sobre a coincidência dos instrumentos, a nota afirma que o acordeon aparece em apenas um número – e que talvez usá-lo na imagem de divulgação tenha sido um erro. O texto esclarece, ainda, que a equipe entrou em contato com Gomez para explicar o que chamam de mal-entendido. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.