Desde a apresentação da peça In on it no último Festival de Curitiba, têm se levantado a questão sobre o estado de conservação dos auditórios do Complexo Teatro Guaíra, em especial o Guairinha – o mais antigo deles.

Na ocasião, os atores Fernando Eiras e Emilio de Mello interromperam os aplausos para denunciar a falta de manutenção e chegaram, inclusive, a pensar em cancelar a apresentação minutos antes de entrarem em cena.

O receio era de que a umidade agravasse a bronquite alérgica de Eiras, o que, de fato, aconteceu. Passados quatro meses, fomos perguntar sobre o estado de conservação e que medidas de manutenção foram tomadas desde então.

“O projeto do teatro é dos anos 50. Com todo esse tempo de utilização, é natural que o teatro não esteja com a atualidade que se espera. As exigências são maiores do que a nossa condição física de execução”, responde o diretor administrativo e financeiro Walter Gonçalves.

O diretor afirma que projetos de reformas no Guaíra são demorados, já que por se tratar de um prédio público, é preciso que haja processo de licitação. Outro fator é a deliberação orçamentária, que nem sempre contempla o teatro como um todo.

“O orçamento é suficiente para as necessidades imediatas. Não é o bastante para o que gostaríamos de fazer e muito menos do que precisaríamos para atingir os sonhos dos músicos, bailarinos e atores”.

Ele argumenta que o problema de cheiro forte exalado nos camarins do Guairinha se deve a limitações do projeto do prédio, inaugurado em 1959. “Embaixo do teatro passa um rio, o que traz uma umidade natural. Uma reforma para conter essa situação necessitaria modificar completamente a estrutura, mas é uma obra muito grande e temos outras prioridades”.

O diretor afirma que obras de grandes proporções não fazem parte dos projetos, pelo menos em curto prazo. Ele informa que, periodicamente, são feitos trabalhos de manutenção e conservação dos auditórios, o que inclui pequenas reformas mais urgentes para o funcionamento.

“Gostaria, por exemplo, de substituir todos os assentos do Guairinha por outros mais modernos, mas existem impedimentos. O patrimônio histórico preza pela valorização da estrutura original teatro”.

Desde 2005, ano em que assumiu o cargo, foram realizadas algumas obras, como a adaptação dos banheiros para deficientes físicos, instalação de rampas e de elevadores.

Também foram feitos reparos nos camarins, em parte dos assentos e dos carpes dos corredores. Ele diz que a crítica foi pontual e que “todos os equipamentos estão em perfeito estado de funcionamento”.

O diretor sustenta, contudo, que as virtudes do Teatro Guaíra superam as limitações físicas e técnicas. “Posso deduzir isso pela quantidade de pessoas que gostariam de se apresentar aqui”.