Criatividade, bom gosto, consciência ecológica, charme, inteligência e estilo. São essas “ferramentas” que o blog Curitiba Cycle Chic usa para propagar uma idéia que já roda o mundo, a de cuidar da natureza, ser mais saudável e com um detalhe importantíssimo, sendo muito fashion. Cycle Chic é a cultura de pedalar com roupas da moda e com estilo.

Ela está associada ao ciclismo como meio de transporte praticado em várias cidades do mundo como Amsterdam, Paris, Berlim, Berne, Copenhague, entre outras também do continente asiático, onde o uso de bicicletas é uma coisa comum e rotineira. Lá, o ciclismo não é usado apenas para praticar exercícios físicos, é uma escolha de transporte cotidiano, aonde muitos ciclistas optam por vestir roupas mais estilosas. “O primeiro blog Cycle Chic surgiu em Copenhague, na Dinamarca, e fez tanto sucesso que já existem em diversos países. Na Europa, é muito comum as pessoas usarem a bicicleta para tudo. Então eu pensei, se deu certo na Europa, porque não dará certo em Curitiba, que é conhecida por ser uma cidade preocupada com o meio ambiente. Então eu criei em março desse ano o Curitiba Cycle Chic, que usa a moda, arte e cultura para conscientizar as pessoas de que a bicicleta pode ser usada para além da prática esportiva”, conta o artista plástico Geraldo Siqueira. O Curitiba Cycle Chic foi o primeiro blog brasileiro, hoje já existe também em outras cidades, como São Paulo. No blog, você encontra fotos de pessoas que conhecem bem o termo Cycle Chic e usam a bicicleta como meio de locomoção, sem deixar de estar bem vestidas. “Quando você anda de bicicleta, você enxerga melhor a cidade e as pessoas. Você consegue ver coisas que de carro você não vê, como a arquitetura de Curitiba, as praças e as pessoas também”, conta Geraldo. “Eu nem tenho carteira de motorista. Eu uso a bicicleta para tudo e não deixo de andar bem vestida. Quando chove, eu pego um ônibus ou um taxi, opções é o que não faltam”, conta Michele Micheletto, designer de produtos e a fotógrafo do blog, que quando vê alguém andando de bicicleta na rua e com estilo, sai correndo atrás para fazer o click. “As pessoas acham a ideia muito bacana e deixam eu tirar fotos delas numa boa”, conta.

Curitiba Cycle Chic

“A energia é diferente de quando você anda de bicicleta, as pessoas te dão bom dia, falam com você. Você percebe que tem pessoas de todas as idades e estilos que também andam de bicicleta no dia a dia. É como um resgate dos velhos tempos”, conta a estilista Naty Fogaça, que anda de bicicleta até de vestido e salto alto.

Para mostra que isto é possível, o Curitiba Cycle Chic, juntamente com a marcas de roupas Gum e Galeria Lúdica, das estilistas Flávia Itibere e Naty Fogaça, respectivamente, fizeram no mês passado um desfile de moda, na Praça 29 de marco, e mostraram as idéias de roupas e acessórios que podem ser usados por ciclistas. “Participaram do desfile pessoas comuns que realmente usam a bicicleta no seu dia a dia. E elas desfilaram com suas bicicletas”, conta Flávia. O evento reuniu 200 pessoas e chamou a atenção pela criatividade e inovação. A idéia, segundo os organizadores, é fazer esse desfile duas vezes por ano, para lançar tendências de outono-inverno e primavera-verão.

Dia sem carro

No dia 22 de setembro, várias cidades do mundo se reúnem para repensar o significado e a importância da vida diante das estatísticas de morte no trânsito e de também de repensar o caos urbano que estão se tornando as grandes cidade do mundo. Estress, transito e poluição são apenas alguns dos males causados pelo excesso de carro nas ruas. Mais e mais, cidade estão investindo em infra estrutura e instalações para melhorar o uso da bicicleta no meio urbano. Curitiba possui cerca de 120 quilômetros de ciclovias, a segunda maior do Brasil, perde apenas para o Rio de Janeiro. Ampliar esse número e também cuidar mais da segurança nas ruas, é uma das demandas atuais da cidade. “Eu ando bastante pela canaleta do expresso porque tem algumas ciclovias que não tem con,dições de serem usadas, estão em péssimo estado de conservação”, conta Naty.

Desafio Intermodal

E para quem acha que a bicicleta não dá para ser usada como meio de transporte porque levaria mais tempo para chegar no seu destino final, precisa rever seus conceitos e se informar mais. No dia 28 de setembro deste ano, foi realizado a segunda edição do Desafio Intermodal em Curitiba, que consiste em avaliar qual o meio de transporte é o mais rápido para ser usado na cidade. E ,adivinha quem ganhou? A magrela, claro! E pelo segundo ano consecutivo.

Participaram do desafio quatro ciclistas, um usuário de ônibus, um skatista, um motociclista, um pedestre, um motorista de carro e um usuário de táxi. O participante que estava no carro foi o sexto colocado e o que estava de táxi chegou em último lugar.

Todos os participantes saíram às 18h da Rua Augusto Stresser, no Juvevê, passaram pela câmara municipal e foram até a prefeitura, no Centro Cívico. O ciclista Alex Mayer fez o trajeto de cerca de 6,7 quilômetros em 18 minutos e foi o primeiro a chegar. O segundo colocado, Gunnar Thiessen, também é ciclista. A diferença é que a bicicleta de Gunnar tinha apenas uma marcha. Em São Paulo, aonde o Desafio é realizado há quatro anos, a bicicleta também foi a vencedora, na frente até do helicóptero. Incrível, não?