Todos os dias, curitibanos passam por obras do escultor João Turin (1878-1949). Elas estão nas Praças Santos Andrade, Carlos Gomes, Osório e Tiradentes, no centro de Curitiba.

Suas esculturas de onças podem ser vistas na rotatória da Avenida Cândido de Abreu, no Centro Cívico, e na Avenida Manoel Ribas, próximo ao portal do bairro de Santa Felicidade. Nascido em Morretes, no litoral do Estado, Turin é considerado o precursor da escultura do Paraná.

A trajetória da carreira dele está na exposição Viajando no tempo com João Turin, que comemora três fatos históricos: os 131 anos de nascimento do artista, 60 anos de seu falecimento e 20 anos da criação da Casa João Turin, que abriga o acervo do escultor, em Curitiba.

Além dos obras em locais públicos na capital e em diversos municípios paranaenses, Turin também deixou um acervo composto por pequenas esculturas, baixos-relevos, pinturas e monumentos históricos.

Começou sua carreira ainda cedo e iniciou os estudos de formação na Escola de Artes e Ofícios de Antônio Mariano de Lima, em Curitiba. Turin, aos 27 anos, foi para a Bélgica, onde fez especialização em escultura na Real Academia de Belas Artes de Bruxelas.

O escultor também executou diversas obras em Paris, na França. João Turin ficou reconhecido como escultor animalista e foi premiado no Salão Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, em 1944 e 1947.

A exposição Viajando no tempo com João Turin reúne manuscritos, correspondências e obras do artista, além de um DVD da peça Seu nome é João, encenada no próprio museu no ano passado.

A mostra começa com os estudos que Turin fez para o cinquentenário da construção da estrada de ferro que liga Curitiba a Paranaguá. “Foi um momento importante da vida dele, pois seu pai trabalhou na construção da ferrovia”, conta Elisabete Turin dos Santos, diretora da Casa João Turin e sobrinha-neta do artista.

Entre os destaques da exposição estão o baixo-relevo Os heróis da Lapa, parte do monumento General Gomes Carneiro, e Caridade, de 1923, a primeira obra com decoração estilo paranaense.

Segundo Elisabete, a exposição ainda conta com uma maquete, de 1912 e feita em Paris, de um monumento em homenagem ao Barão do Rio Branco. O projeto concorreria em um concurso, mas não chegou a tempo ao Brasil. Outro destaque, de acordo com ela, são as correspondências.

“Era uma época em que não existia computador. Telefone era um objeto de luxo. As cartas são preciosas e, em apenas uma delas, vem muitas informações”, relata.

Serviço

A exposição Viajando no tempo com João Turin fica aberta ao público até o dia 25 de outubro, com entrada gratuita. De segunda à sexta-feira, das 9h às 18h; sábados, domingos e feriados, 10h às 16h. Agendamento de grupos escolares podem ser feitos pelos telefones (41) 3223-1182 e 3323-5715. A Casa João Turin fica na Rua Mateus Leme, 38, no Setor Histórico de Curitiba.