No ano da sua maioridade – 21 anos -, o Festival Internacional de Curtas de São Paulo, promovido pela Associação Kinoforum, segue sendo a grande vitrine do formato no País. De hoje até dia 27 de agosto, será possível dar a volta ao mundo somente assistindo a filmes curtos. São 146 títulos do Brasil, distribuídos em três seções (Mostra Brasil, Panorama Paulista e Cinema em Curso). No total, o festival vai exibir mais de 400 filmes de 30 países. E a participação poderá se dar também por meio das mídias sociais – twitter, Facebook, Orkut, Youtube, etc.

A mostra nacional traz à cidade os curtas participantes do recente Festival de Gramado, como “Haruo Ohara”, “Amigos Bizarros de Ricardinho”, “Carreto”, “Babás”, “Anjos no Meio da Praça”, etc. Em Gramado, o codiretor Alê Camargo contou que “Anjos” nasceu de um sonho que teve – literalmente. As imagens desses anjos caídos numa praça e aprisionados por humanos atiçou seu imaginário e, com a cumplicidade da mulher – Camila Carrossine -, ele fez o curta em 3-D, incorporando experiências visuais de um filme conhecido do grande público, “Amélie Poulain”, de Jean-Pierre Jeunet. As pesquisas de Rodrigo Grota vão em outra direção e, em “Haruo Ohara”, ele fecha sua admirável trilogia sobre Londrina. Aos críticos que o acusam de formalismo – em “Satori Uso” e “Booker Pittman” -, Grota responde agora com a humanidade deste filme sobre o fotógrafo japonês que, ao longo de 50 anos, documentou a vida na região por meio de 20 mil fotos.

“Babás”, de Consuelo Lins, consegue traçar um retrato muito rico das relações afetivas e de classe na sociedade brasileira somente por meio das histórias de babás. No passado escravocrata, elas eram amas de leite. Hoje, uniformizadas, cuidam de crianças burguesas para que suas mães possam desempenhar, longe do lar, a vida profissional. “Amigos Bizarros de Ricardinho”, de Augusto Canani, é uma pequena joia sobre jovem que resiste à pressão do ambiente corporativo, numa agência de publicidade, contando ‘causos’ para seus colegas. E não se pode esquecer de “Recife Frio”, de Kleber Mendonça, premiado nos festivais de Brasília e Recife, nem de “Bailão”, de Marcelo Caetano, que conta histórias de resistência de homossexuais que sobreviveram à repressão e à aids para poder dançar hoje em dia no salão do título.

No festival existem mostras para todos os gostos – infanto-juvenil, Dark Side e Fucking Different, com curtas proibidos até 18 anos. A ideia é mapear as novas tendências do formato, no País e no exterior. Entre uma projeção e outra – e um seminário e outro, para discutir curta e mercado -, o festival oferece happy hours. Afinal, não é porque o filme é curto que seus autores têm de ser de ferro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Festival de Curtas

Cinemateca. Largo Senador Raul Cardoso, 207, tel. (011) 3512-6111.

CineSesc. Rua Augusta, 2.075.

MIS. Avenida Europa, 158, tel. (011) 2117-4777.

Espaço Unibanco. Rua Augusta, 1.470, tel. (011) 3288-6780.

CCSP. Rua Vergueiro, 1.000, tel. (011) 3397-4054.

Cine Olido. Avenida São João, 473, tel. (011) 3331-8399.

Cinusp. Rua do Anfiteatro, 181, tel. (011) 3091-3540.

Cineclube Grajaú. Rua Prof. Oscar Barreto Filho, 252, tel. (011) 6181-1205.

Matilha Cultural. Rua Rego Freitas, 542, tel. (011) 3256-2636.

Museu do Futebol. Estádio do Pacaembu. Praça Charles Miller, s/ nº, tel. (011) 3664-3848.

Programação completa no site www.kinoforum.org