O longa-metragem "Cafundó", dirigido por Paulo Betti e Clóvis Bueno, acaba de ser convidado para participar do "The 14º Annual Pan African Film Festival", que acontece em fevereiro do ano que vem, em Los Angeles. O festival foi idealizado pelo ator norte-americano Danny Glover ? que esteve recentemente no Brasil, onde veio promover o filme ?Manderlay?, de Las von Triers, no Festival do Rio. O Paff é um evento dedicado a filmes e artes feitos por, para e sobre negros ? Glover é um ativista da causa. O convite para ?Cafundó? partiu do festival (www.paff.org).

"Cafundó" foi rodado em 2003 no Paraná, produzido pela Laz Audiovisual, empresa de Curitiba, e Prole de Adão, produtora sediada no RJ. Ainda não lançada no circuito comercial, a fita, estrelada por Lázaro Ramos, recebeu diversos prêmios no recente Festival de Gramado (melhor ator, direção de fotografia e de arte, prêmio do júri e prêmio RGE); está competindo no Festival do Rio; e está, ainda, na mostra do Vancouver International Film Festival, no Canadá, com projeção marcada para o próximo dia 10 de outubro; e também competindo na seleção Novos Diretores da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Virginia W. Moraes e Rubens A. Gennaro, executivos da Laz Audiovisual, atualmente produzem o longa ?Garibaldi in America?, co-produção Brasil/Itália. O filme começa a ser rodado dentro de três semanas, em locações em Santa Catarina. Ana Paula Arósio, que fará Anita Garibaldi, já se prepara há duas semanas para o papel. Gabriel Braga Nunes viverá Giuseppe Garibaldi, no filme dirigido pelo italiano Alberto Rondalli.

Sobre ?Cafundó?

?Cafundó? conta, de forma romanceada, a vida de João de Camargo (vivido por Lázaro Ramos), ex-escravo que viveu em Sorocaba, interior de São Paulo, entre o final do século 19 e início do século 20. Depois de anos tentando sobreviver em sub-empregos, João passa a ter visões e descobre sua vocação de milagreiro, tornando-se líder religioso. Ele funda a igreja Nosso Senhor Bom Jesus da Água Vermelha, que mescla elementos do catolicismo, espiritismo e de rituais africanos.
 
João de Camargo foi preso diversas vezes, mas toda vez que era solto, voltava à sua pequena igreja e retomava as orações e cura para centenas de pessoas humildes que o procuravam. Ele morreu em 1942, com 84 anos.

Na fita estão, também, os atores Leona Cavalli, Flávio Bauraqui, Luís Melo, Valéria Monã e Francisco Cuoco.