Depois de protestos da classe artística, a Funarte decidiu reabrir os editais de ocupação dos três espaços que administra em São Paulo: Teatro de Arena e as salas Renée Gumiel e Carlos Miranda. Ligada ao Ministério da Cultura, a Fundação Nacional de Artes anunciou na última semana o resultado do edital anterior, que desclassificou todos os candidatos da capital paulista. (Ao contrário do que aconteceu no Rio, em Belo Horizonte e Brasília, onde os pedidos foram aprovados.)

O motivo alegado para a recusa integral dos proponentes foi a ausência de cartas de anuência dos envolvidos em cada um dos projetos. Nenhum membro da Funarte quis se manifestar, mas a entidade enviou um comunicado à imprensa no qual alega que “houve modificação nos editais de ocupação lançados em 2014, quanto às cartas de anuência. Isto foi realizado com o objetivo de garantir que as programações ocorram conforme as propostas apresentadas”.

Vários artistas contestaram o descredenciamento coletivo. Alguns resolveram recorrer formalmente, pedindo a revisão de seus pedidos. “É praticamente impossível recolher assinaturas de todos os envolvidos”, argumenta o diretor Nelson Baskerville, que concorria com uma proposta de montagem de A Gaivota, de Chekhov. “No meu caso, propus um workshop com audiências para a escolha de elenco. Então, não tinha mesmo como pegar assinatura de atores que ainda não foram escolhidos.”

Mesmo diante das alegações, os pedidos foram novamente negados pela entidade. Em reunião com a ministra da Cultura Marta Suplicy, no dia 14, o presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, Rudifran Pompeu, discutiu o tema e pediu que a decisão fosse revista.

A Funarte relançou os editais. Mas não admitiu nenhum tipo de erro jurídico no edital anterior. “A republicação foi realizada porque nenhum dos proponentes foi habilitado nos concursos anteriores.” Os concorrentes terão prazo menor desta vez. Possuem 20 dias corridos para apresentar suas propostas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.