Quando foi anunciado que o clássico oitentista Fúria de Titãs iria receber uma versão moderna, houve um alvoroço geral por parte dos cinéfilos de plantão. Afinal de contas, todos queriam ver como ficariam os modernos efeitos especiais para dar vida às criaturas habitáveis da rica e interessante mitologia grega, uma vez que a versão do longínquo ano de 1981 utilizou a tecnologia conhecida como stop motion (que, embora ainda seja utilizada nos dias de hoje e se tratar de uma técnica fantástica, está a anos-luz com o que pode ser feito com os computadores).

Juntando então um elenco com nomes conhecidos, um roteiro épico, utilização da magia do 3D e produção visual de primeira, tinha tudo para ser um filme inesquecível para o gênero, correto? Hmmmm…infelizmente, não foi bem isso o que aconteceu.

Embora a bilheteria da releitura de Fúria de titãs – porque de remake do original são só alguns detalhes – esteja sendo absolutamente lucrativa (mundialmente já fez mais de US$ 400 milhões), a versão moderna deste filme deixa a desejar, ainda que possa garantir algum entretenimento.

O que de cara incomoda é o alardeado efeito 3D (que deveria ser vendido como 2,1/4 D). Originalmente filmado para o formato tradicional, alguém, seja ele produtor, diretor, executivo, whatever, achou que seria legal pegar o filme, que já estava pronto, e transforma-lo nesta forma.

Ledo engano, pois além de ter ficado sensivelmente estranho (em algumas passagens, as imagens ficaram disformes), soou tremendamente oportunista essa “transformação”, pois quiseram embarcar em uma onda quando já era tarde demais. Portanto, pagar mais só para assistir em 3D vai sair caro.

Mesmo contando com bons atores, como Liam Neeson (Batman begins, A lista de Schindler) como Zeus, Ralph Fiennes (O paciente inglês, O jardineiro fiel) no papel de Hades e Sam Wortinghton (Avatar, Exterminador do futuro: salvação) encarnando o semi-deus Perseu, o filme custa a decolar.

Por outro lado, como era de se supor, os efeitos são de primeira qualidade, onde o espectador poderá conferir em passagens como os escorpiões gigantes, o ataque de Hades a cidade de Argos, a górgona Medusa e o colossal Kraken.

Como as cifras estão excelentes, não será uma surpresa se acontecer uma continuação. Caso realmente haja uma, melhor que os erros cometidos aqui não sejam repetidos, sob pena dos responsáveis serem sumariamente castigados pelos deuses. Que Zeus os ilumine!