No momento em que grandes galerias de arte do Brasil apresentam obras dos principais nomes da fotografia moderna e contemporânea, na SP-Arte/Foto, alguns dos artistas que estarão presentes na feira expõem também trabalhos em mostras individuais, espalhadas pela cidade. É o caso, por exemplo, de Berna Reale, artista paraense, que ganha exposição pela galeria Nara Roesler.

A galeria paulista vai expor a obra de Berna na SP-Arte/Foto, mas quem quiser uma versão mais ampliada do trabalho pode visitar a mostra “Gula”, que será aberta no sábado, 25, na Nara Roesler. São seis séries fotográficas e uma instalação, que falam sobre como a violência pode despertar um prazer não só em quem a comete, mas também em quem compartilha informações. A ideia veio da sua própria experiência como perita criminal em Belém, dos relatos dramáticos das páginas policiais da cidade e também das imagens de violência enviadas sem filtros nas redes sociais.

“Vi um estudo que fala sobre a gula, e que diz que o ser humano é o único que sente prazer em ‘devorar’ o outro”, explica a artista sobre a mostra. “As pessoas sentem prazer em mostrar violência nas redes sociais. Nos jornais, quanto mais trágica a notícia, mais ela vende. No próprio sistema de segurança pública, percebo o prazer em prender ou humilhar.”

A artista, no entanto, nega que o trabalho seja uma crítica à violência policial. “Uso elementos para as pessoas refletirem sobre poder.” Segundo ela, ao longo de sua carreira como perita, presenciou algumas vezes parceiros vivenciado o prazer em atos até mesmo mais sutis, como usar a sirene do carro policial, mesmo fora de situação de emergência. “Eu os questionava sobre isso ser necessário.”

Linguagem como tema

Já Janaina Torres Galeria, também de São Paulo, vai levar para a SP-Arte/Foto uma prévia do que o público pode ver em sua sede, com a exposição individual do português Jordi Burch. A mostra “Furo”, que já está em cartaz, traz 14 fotografias e um vídeo que retratam a própria prática fotográfica. “Um escultor trabalha com a matéria até chegar na imagem. O que quero é destruir a imagem até chegar no material”, explica o artista.

Em suas fotos, um papel pode remeter ao céu do Rio de Janeiro. Em outra, aproveita-se um momento de luminosidade intensa. “O título Furo é para falar da falência da linguagem, no sentido de um furo na ideia”, esclarece a curadora, Marta Mestre. “São imagens que fazem um jogo de réplica do real, que aproveitem erros do processo químico da revelação ou que se aproveitem de uma luz a mais.”

Por isso, não só a questão da matéria, mas o tempo também é fundamental para o trabalho, como numa fotografia de uma lâmpada queimada. “O grande evento não está na imagem”, diz Jordi Burch. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

BERNA REALE: GULA

Nara Roesler. Av. Europa, 655. Tel. (011) 2039-5454. Até 3/11.

JORDI BURCH: FURO

Janaina T. R. Joaquim Antunes, 177. Tel. (011) 3064-2507. Até 2/10.