Além do grande talento como cantora e compositora, já faz alguns anos que a paulista Giana Viscardi vem aprimorando seu trabalho dentro do universo musical afro-brasileiro. Oito anos depois de “4321” (2005), no terceiro álbum, “Orum” (Sonora Produções), que tem show de lançamento nesta quinta-feira, 10, no Sesc Pompeia, ela aprofunda a experiência ao contar com o maestro, arranjador e músico baiano Letieres Leite (que também a acompanha no palco, bem como Jaques Morelenbaum).

Produzido por Alê Siqueira, o disco reúne composições de Giana (várias em parceria com Michi Ruzitschka, que também assina outras com Chico César e Clima), de Caê Rolfsen com Celso Viáfora (“Linda”) e com Fabio Barros (“É Só o Que Falta”), Dani Black e Chico César (Calor) e uma antiga de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes (“Canção do Amor Que Chegou”), esta do repertório que ela costuma cantar nas noites do Bar Baretto há mais de dois anos, “flertando com o jazz e passeando pela música erudita”.

Os arranjos e o estilo de interpretação da cantora – dona de belo timbre e de uma afinação insuspeita – dão unidade ao repertório de autores tão diferentes, que caem bem na polirritmia afro-baiana, com base no candomblé, que é essencialmente ritualística. Exceto por algumas esporádicas referências, porém, as canções não tratam de assuntos religiosos, mas de amor e sensualidade, por exemplo, o que é raro nesse estilo de música.

“É um trabalho muito coeso e o show vai ser bastante fiel ao disco, trouxemos da Bahia uma tabaqueria, que é a bateria feita de atabaques do candomblé”, diz a cantora, que tem ligação antiga com a música da Bahia. “É uma terra muito rica de fontes musicais, mas meu disco não tem aquela alegria solar do carnaval baiano. O próprio Letieres fala que é um disco permeado de silêncios, é seco, forjado a ferro, madeira e couro. Não é carregado de texturas e ruídos como grande parte do que fazem hoje. Não é qualquer músico que pega e faz, é preciso estar a fim de assimilar uma linguagem.” E isso ela e os amigos de quem se cercou fazem muito bem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

GIANA VISCARDI

Teatro do Sesc Pompeia (Rua Clélia, 93, telefone 3871-7700). Quinta, às 21 h.

De R$ 4 a R$ 20.