Uma das mais famosas árias, "O Mio Bambbino Caro", da ópera Gianni Schicchi, de Puccini, poderá ser ouvida neste mês no Guairão. As apresentações serão nos dias 28 e 29 de setembro às 20h30, com a Orquestra Sinfônica do Paraná, sob a regência do maestro Alessandro Sangiorgi. A montagem de Gianni Schicchi é uma parceria do Centro Cultural Teatro Guaíra e a Acord Produções, com direção de Marcelo Marchioro. Os cenários e figurinos são de Ricardo Garanhani e a coordenação de produção de Denise Sartori. Os ingressos custarão R$ 30,00 (platéia e 1º balcão) e R$ 16,00 (2º balcão). Também haverá apresentações no dias 01 e 02 de outubro.

Gianni Schicchi é uma ópera de um ato sobre o libreto de Giovacchino Forzano, baseado no Inferno, de Dante. É a terceira parte do tríptico formado por outras duas óperas, Il Tabarro e Suor Angelica. Escrita por Giacomo Puccini no ano de 1918, a ópera Gianni Schicchi estreou no Metropolitan Opera House, em Nova York, em 14 e Dezembro de 1918. A trama se passa em Florença no ano de 1299.

Dante Alighieri, o autor da Divina Comédia, colocou os seus inimigos políticos e pessoais no Inferno. Entre os desafetos do poeta estava Gianni Schicchi, cidadão de Florença que teria falsificado o testamento de Buoso Donati (Dante era casado com Gemma Donati, um membro dessa família), deixando a maior parte dos bens de Buoso, que morreu a 1 de setembro de 1299, para a família Schicchi. Mas Puccini quis provar que, afinal de contas, Gianni Schicchi não merecia ir parar no inferno.

Livreto

Buoso Donati acaba de morrer. Seus parentes, reunidos no quarto em torno ao leito de morte, choram lágrimas fingidas, cada um deles de olho na herança. O falecido é membro da alta burguesia, dono de moinhos e distribuidoras de farinha, fábricas de macarrão e panettone, padarias, etc., sendo as Indústrias Donati uma das empresas mais bem sucedidas de toda a Toscana.

Em meio às preces fúnebres e aos prantos, cochicham nos ouvidos uns dos outros sobre os destinos dos bens. Este rumor causa alarme entre os membros da família.

Desesperados, reviram o quarto em busca do testamento. Rinuccio, excitado, anuncia: "Achei! O testamento de Buoso Donati!" Fantasia que o tio pode tê-lo deixado rico, permitindo assim seu casamento com Lauretta, a filha de Gianni Schicchi.

Mas a leitura do testamento causa grande decepção entre os Donati. O falecido deixou quase tudo para os frades, e praticamente nada para eles, que começam a chorar, agora sim, lágrimas de verdade. Mas nem tudo está perdido, diz Rinuccio, lembrando que Gianni Schicchi é quem poderá salvá-los. Mas ao ouvir tal nome, a velha Zita se enfurece e diz que nunca permitirá que o neto se case com a filha desse cidadão, sem eira nem beira, sem dote nem nada, um forasteiro em Florença. Rinuccio defende seu futuro sogro, dizendo que ele é um grande jurista, além de muito esperto.

Neste momento chega Gianni Schicchi com sua filha Lauretta. Ele sabe que é detestado naquela casa, mas isto não quer dizer que tenham qualquer pudor em recorrer a ele, agora que estão em apuros.

Lauretta, que está perdidamente apaixonada por Rinuccio, pede ao pai que faça algo pelos Donati. Mas ele diz que não fará absolutamente nada. É então que Lauretta, com sua célebre ária O mio bambbino caro, amolece o coração do pai.

Gianni expõe seu plano. Já que ninguém fora da casa sabe que Buoso Donati morreu, que alguém vá à cidade e avise ao tabelião que a saúde do senhor Donati piorou muito, e que ele irá refazer o testamento.

Enquanto isto, o cadáver é escondido e Gianni Schicchi, cuja semelhança física com o falecido é marcante, deita na cama para a farsa. Assiste-se então a um espetáculo de ganância, sordidez e mesquinharia, quando cada um dos Donati tenta subornar Gianni Schicchi para poder ficar com a maior parte dos bens.

Gianni adverte-os, porém, do risco que estão correndo: a pena para a falsificação de documentos na República de Florença é a amputação da mão e o banimento perpétuo da cidade, tanto para o perpetrador do crime quanto para seus cúmplices.

Chega o notário, com as testemunhas do cartório. O farsante começa a ditar seu testamento. Alguns trocados para os frades, tudo bem. O dinheiro vivo que se encontra na casa, em partes iguais para os membros da família, tudo bem. Mas os Donati ficam estarrecidos quando ele deixa a mula, a casa, os moinhos e as empresas Donati para seu devoto amigo Gianni Schicchi.

Após a retirada dos representantes da lei, há alvoroço na casa dos Donati – que agora é, legalmente, a casa de Gianni Schicchi. A casa é saqueada; roubam tudo que podem: as roupas de seda fina, as jóias, os objetos de arte, a prataria, até mesmo a mobília. Só os dois amantes, Rinuccio e Lauretta, alheios a tudo que se passa em torno deles, cantam seu pequeno dueto de amor. Gianni Schicchi se levanta da cama, então, e pergunta ao auditório se o dinheiro de Buoso Donati poderia ter tido um fim melhor.

Solistas

Para esta montagem foram convidados os cantores Alexandre Trovon (Gianni Schicchi), Luciana Melamed (Lauretta, sua filha), Denise Sartori (Zita, prima de Buoso), Francisco Simal (Rinuccio, neto de Zita, noivo de Lauretta), Alexandre Mousquer (Gherardo, sobrinho de Buoso), Marinice Pfau Lenz (Nella, esposa de Gherardo), Ana Carolina Cardon (Gherardino, filho de Gherardo e de Nella), Thiago Monteiro (Betto di Segna), Divonei Scorzato (Simone), Fernando Araújo (Marco), Lúcia de Vasconcelos (La Ciesca), Paulo Barato (Amantio di Nicolao, notário), Ricardo Buhrer (Mestre Spinelloccio, médico), Paulo Hugolini (Pinellino, sapateiro) e Giovani Mocelin (Guccio, pintor de paredes).