Gilles Jacob, de 82 anos, realiza nesta quinta-feira, 17, em Paris sua última coletiva de anúncio da competição do Festival de Cannes como presidente do evento. Ele será substituído por Pierre Lescure, de 68 anos, cofundador do Canal Plus. Ao longo de 50 anos, Jacob, o Cidadão Cannes, imprimiu sua marca no maior festival do mundo. A quem ele vai entregar sua última Palma? Os filmes que vão competir serão conhecidos nestas quinta. O Brasil estará no lote? M. Jacob deu esta entrevista exclusiva por e-mail. Jornalista em 1964, delegado-geral em 1976, presidente desde 1978. São 50 anos de Cannes, toda uma vida. Como foi, ainda está sendo, essa experiência?

GILLES JACOB – Foi a mais extraordinária, enriquecedora, emocionante porque me fez conhecer os maiores nomes do cinema mundial, e de muitos tive a honra de me tornar amigo. Tive a chance de desenvolver o festival, de ajudar o cinema mundial e ainda levei uma vida de sonho, porque meu trabalho sempre me ofereceu o maior prazer que um cinéfilo pode ter – ver filmes e ajudá-los a viver.

Quando presidiu o júri, Roberto Rossellini só pensava em seu ‘colóquio’. O senhor criou a Caméra d’Or e também fez seu colóquio, em 2000/2001, sobre as novas tecnologias. Como foi viver tantas mudanças do cinema?

GILLES JACOB – Vivi muitas mudanças ao longo do meu itinerário cannois. Mas também as provoquei, ao criar a Caméra d’Or, a seção Un Certain Regard, a Cinéfondation (competição de filmes de estudantes), a Residência da Cinéfondation (Villa Médicis, onde acolhemos jovens realizadores para que escrevam o primeiro filme), o Atelier (que ajuda no financiamento). Todas essas ações foram coordenadas com o objetivo de ajudar a nascer e a se desenvolver uma nova geração de cineasta de todo o mundo. Eles representam o futuro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.