Mais que um sucesso de público – já foi visto por mais de 60 mil pessoas -, o musical Gonzagão – A Lenda é um belo exemplo de parceria. Escrito e dirigido por João Falcão, que também assina o roteiro de canções, o espetáculo foi montado com um elenco que não se conhecia, mas que, com o tempo, se tornou inseparável. “Eles criaram uma ligação incrível”, comenta o encenador. A peça volta em cartaz nas matinês do Theatro Net SP – às 18 horas de sábado, 14, e às 16h30 do domingo, 15.

Em cena, oito atores e uma atriz se revezam em diferentes papéis para contar a trajetória do Rei do Baião, importante figura na formação cultural de Falcão. “Foram suas canções que me ajudaram a moldar a imagem do sertão, a descobrir a importância das festas juninas, a considerar o valor da resistência do nordestino”, comenta ele. “Para mim, Luiz Gonzaga é uma figura com uma força mítica maior que a do Padre Cícero.”

Falcão não se preocupou em acompanhar a linha do tempo – além de criar uma trama que se passa no futuro, quando o sertão virou mar, ele mostra um Gonzagão sob um prisma extremamente carinhoso. Por meio de mais de 30 canções (como Asa Branca e Xote das Meninas), o espetáculo acompanha a trajetória de Luiz Gonzaga (1912-1989), da infância pobre ao músico consagrado. “Minha intenção é explicar a importância do trabalho e de como Gonzaga se transformou na cara do Brasil: um homem pobre que deixou o Nordeste para virar rei”, diz Falcão. “Trata-se da identidade alegre de uma gente sofrida.”

E, seguindo sua liberdade criativa, o diretor se permitiu rebatizar duas mulheres importantes da vida do músico, Nazarena (o primeiro grande amor) e Odalea (a mãe de Gonzaguinha) como Rosinha e Morena, respectivamente, nomes que aparecem em músicas do compositor. Também as canções não são apresentadas apenas com sanfona, triângulo e zabumba – há ainda um violoncelo, uma rabeca e uma viola. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.