O bom humor e o modo de ser “deixa a vida me levar” sofreram um abalo nos últimos meses. No fim do ano passado, Zeca Pagodinho teve de se submeter a uma delicada cirurgia na coluna, por causa de uma compressão medular na região lombar que lhe causava muitas dores nas costas e nas pernas, e que ele não tratava adequadamente – “eu estava quase na cadeira de rodas”. “A gente vai levando… Um sugere uma simpatia, outro uma massagem, mas nada deu certo. Coloquei oito parafusos e duas placas”.

Chegou 2015 e vieram duas grandes perdas consecutivas: o filho mais velho, Elias Gabriel, de 28 anos, morreu em decorrência de problemas nos pulmões; em março, foi-se seu Jessé, seu pai, de 87, de insuficiência cardíaca. “Minha salvação foi o disco. Ia para o estúdio e gravava. Se eu cair, cai muita gente comigo. Eu tenho que estar de pé. Só a música pode fazer isso comigo.”

As gravações de Ser Humano começaram justamente entre uma perda e outra, em fevereiro. “A gente tem que continuar lutando, cantando, até porque tem os mais novos: a Duda (a filha Maria Eduarda), o Noah (o neto de cinco anos) e a Catarina (a neta de dez meses).

Agora, na fase que antecede os shows de lançamento, a agonia – talvez maior do que a rodada de entrevistas e fotos para a divulgação do CD – é decorar as letras novas e ensaiar. “Estou preocupado. O Rildo Hora (diretor musical de Zeca) e o Leonardo Bruno (arranjador) fazem umas coisas muito complicadas pra mim”.