O maestro Sangiorgi compara
a produção de uma ópera.

São inúmeras pessoas trabalhando há mais de um mês para a encenação da ópera La Traviata, de Giuseppe Verdi, que estréia no próximo dia 18, no Guairão.  

Cantores, músicos da Orquestra Sinfônica do Paraná, regentes, pianistas, preparador vocal, bailarinos, costureiras, técnicos em cenários e figurinos, e muitos outros trabalham em todos os cantos do prédio e fora deste. O resultado de toda essa movimentação será apreciado pelo público durante as seis récitas.

Mas nem tudo será visto, só os olhos mais atentos observarão os pequenos detalhes como bordados, sapatos, bijuterias, entre outros que fazem parte de todo o conjunto de vestimentas e adereços utilizados pelos artistas.

O figurinista Eduardo Giacomini, grande conhecedor desta arte, responsável por vestir os 48 cantores do coro e os 12 solistas, acumula conhecimentos também como ator, aderecista e cenógrafo. Nesta produção ele trabalha em conjunto com o maquiador e cabeleireiro Marcelino de Miranda, que atua há dez anos em espetáculos de teatro, televisão, cinema e ópera.

Os 65 trajes femininos e masculinos são concepção específica para La Traviata. A maioria dos sapatos é do acervo do Teatro Guaíra e foram pintados e modificados pelo próprio Eduardo. A equipe formada por 7 pessoas, entre costureiras, bordadeiras e figurinista, trabalha em ritmo acelerado.

Mas não termina por aí. As bijuterias e adereços, peças importantes no vestuário da época que ornamentam os cantores, foram criadas pela aderecista Fabiele Colombo.

Os cenários são de Carlos Kur, uruguaio vinculado ao Teatro Guaíra desde 1976, onde já trabalhou também com figurinos e luz para balés e óperas. A confecção dos cenários está sendo realizada num barracão localizado no bairro Ahu e mais tarde serão trazidos ao palco para as finalizações – são 9 pessoas envolvidas nesse trabalho.

O maestro Alessandro Sangiorgi compara a produção de uma ópera à construção de um edifício. ?Tudo começa no alicerce e aos poucos vai ganhando forma. São milhares de detalhes, divididos em vários setores e cada um faz a sua parte, que aos poucos vão se encaixando até chegar à estréia?, diz ele.

Nesta produção, os trabalhos cênicos são do renomado artista tcheco Golat Ludek, dirigente do Teatro Nacional da Morávia-Silesiana, em Praga, há 9 anos.

No elenco principal a cantora italiana Luiza Giannini interpreta Violetta Valery. O coro é formado por 48 cantores (regência: maestro Emanuel Martinez), bailarinos do Balé Teatro Guaíra e Orquestra Sinfônica do Paraná. E a direção artística é do maestro titular Alessandro Sangiorgi.

A ópera

Escrita em 1853 por Giuseppe Verdi, adaptada sobre o texto de Alexandre Dumas Filho, A dama das Camélias, com libreto de Francesco Maria Piave, conta a história de amor proibido entre a cortesã Violetta Valery e Alfredo Germont, filho de um nobre. Ambientada no século 20, a encenação está dividida em três atos e terá seis récitas.

Giuseppe Verdi, compositor italiano (1853/ 1901), de família humilde, dedicou-se desde pequeno à música. Aos sete anos de idade já trabalhava como auxiliar de organista na localidade onde nasceu. Em 1842, suas composições trágicas e heróicas encontraram respaldo em seu país, que lutava pela liberdade. Apesar das dificuldades encontradas em sua carreira, devido aos problemas pessoais e políticos, seu talento conquista a Europa e América. Em suas obras, os temas políticos são muito valorizados. Entre as dezenas de peças escritas por ele estão: Nabucco (1842), Macbeth (1847), Jerusalém (1847), La Traviata (1853). Aída (1871) e um Réquiem (1874). Ao morrer, 28 mil pessoas foram em seu funeral.

Serviço

La Traviata, de Giuseppe Verdi,  no Guairão, em cartaz até o dia 26, de terça a sábado às 20h e domingo às 18h. Ingressos: R$ 30,00 (platéia), R$ 20,00 (1.º balcão) e R$ 10,00 (2.º balcão) – venda antecipada. Nos dias das récitas: R$ 40,00 (platéia), R$ 30,00 (1.º balcão) e R$ 20,00 (2.º balcão). Dia 26 (Projeto Teatro para o Povo): entrada franca.