Em 1980, um grupo com cerca de 65 pessoas, incluindo artistas e técnicos, foi a Angola, onde participou de shows em Luanda, Benguela e Lobito. Idealizado pelo produtor Fernando Faro, o projeto Kalunga, como foi chamado, reuniu em sua comitiva grandes nomes da música brasileira: Dorival Caymmi, Martinho da Vila, Djavan, Clara Nunes, Dona Ivone Lara, Edu Lobo, Chico Buarque, o casal Francis e Olivia Hime, entre tantos outros. O projeto marcou a aproximação musical e também política entre o país e o Brasil. Foi um momento histórico, pouco noticiado no País, ainda sob o período de ditadura.

Agora, 35 anos depois, o projeto Kalunga será reeditado em Luanda, Angola, com Olivia e Francis Hime à frente da iniciativa. As apresentações ocorrerão nos dias 5, 7 e 9 de setembro. Grande parte dos artistas que estiveram naquela primeira edição não embarcará para Angola, caso de Dona Ivone Lara, Edu Lobo, Chico Buarque, Djavan, entre outros. Nessas três décadas, vale lembrar que outros partiram, como Clara Nunes e Dorival Caymmi. Desta vez, o time será formado por Olivia e Francis Hime, Martinho da Vila, Mart’nália, Miúcha, Elba Ramalho, Nei Lopes, Mariene de Castro, entre outros. “Ao todo, são 36 pessoas que vão para lá”, diz Olivia. O convite partiu da Embaixada do Brasil em Luanda.

“Eu e o embaixador nos conhecíamos da Finlândia, porque fiz show lá. Ele me ligou e pediu uma sugestão musical para fazer algo em Angola”, conta ela. “Pedi para ele um tempo para pensar e fiz a sugestão do Kalunga. Ele pesquisou sobre o assunto e gostou muito da ideia.”

Os Himes estão amplamente dedicados ao projeto. Além de participar dele como artista, Olivia atua em sua produção. “Estou trabalhando nele desde abril”, afirma. Já Francis está envolvido com os arranjos. “Já estou com 70% deles prontos. Daqui a dez dias, começamos os ensaios”, completa o músico. Também por causa do projeto, Francis e Martinho da Vila inauguram a parceria na composição. Os dois juntamente com Olivia assinam o samba Daqui, Dali, de Acolá. “Fiz a música, a Olivia fez uma parte da letra, aí mandei para o Martinho e ele completou com mais um pedaço de música, e fez mais uma parte de letra. O samba é de uma linha bem dolente, meio afrossamba. A gente abre o show com essa canção e encerra com todos cantando.”