Hélio de la Peña:
?Não dá pra levar a sério?.

Gostar de freqüentar o curso para gestantes em companhia da mulher, a fotógrafa Ana Quintella, Hélio de la Peña nunca gostou. Muito menos fazer visitas esporádicas ao ginecologista, que ele convencionou chamar de “tarado com diploma”. “Imagina a situação… A mulher que eu amo, que eu batalhei para conquistar, entregue de mão beijada a um cara que eu nem conheço…”, queixa-se. Mas, foi numa dessas consultas, que Hélio teve a idéia de escrever O Livro do Papai, um manual de “auto-ajuda” que vai tentar ensinar os pais a se livrarem da incômoda sensação de que não passam de uns inúteis durante a gestação da mulher. “Não dá para levar a sério o que escrevi. Afinal, não sou nenhum Dráuzio Varella”, avisa, referindo-se ao médico que atualmente apresenta o quadro Grávidas no Fantástico.

Aos 43 anos, Hélio de la Peña recorda que começou a se sentir um “especialista” no assunto lá por volta dos dez, quando a mãe resolveu ter outro filho, o temporão Sérgio. Metido que só ele, Hélio brincava de tomar conta do irmão, com direito a troca de fraldas e preparo de mamadeiras. “Eu me sentia orgulhoso por saber cuidar do moleque”, garante, envaidecido. O primeiro filho mesmo só veio aos 33, quando nasceu Joaquim, hoje com 10 anos. “Quando tive filho, já cheguei cheio de moral. Afinal, eu já manjava desse assunto”, esnoba. Ano passado, Hélio ganhou o segundo filho, o pequeno João, e já aguarda, ansioso, pela chegada do terceiro. “A minha mulher nunca teve nenhum desejo maneiro que eu pudesse chegar no trabalho e contar para os amigos. Por isso mesmo, tive até de inventar alguns…”, diverte-se.

Pontos críticos

Mas nem só de brincadeiras, acreditem, é feito o livro de Hélio de la Peña. Nele, o autor descreve dois dos momentos que considera os mais difíceis nesse “caminho sem volta” chamado paternidade. Um deles é o dia da ultra-sonografia, um exame aguardado com grande ansiedade pelo casal. O humorista chegava lá ansioso por saber o sexo do bebê e tudo que via era um borrão desfocado na tela. “Mas, doutor, aquilo é o braço? Mas eu pensei que fosse o estômago…”, reclama. Mais difícil que o dia da ultra-sonografia, só mesmo o do parto. “Espada”, como os cassetas costumam dizer, ele assistiu ao nascimento dos dois filhos. Mas tomou algumas precauções antes. “Quis saber, por exemplo, se o plano de saúde cobria piripaque de pai na sala do parto. Mas nenhum deles cobre esse tipo de mico. Que injustiça!”, resmunga, brincalhão.

Há tempos, Hélio vinha ensaiando o que poderia ser sua primeira “experiência solo” dentro do grupo Casseta & Planeta. Para ele, um dos sucessos do grupo, que já dura 10 anos, é a falta de melindre entre os integrantes. “A gente briga e faz as pazes no mesmo dia. Ninguém aqui abre concessões. Se não gostou de determinada piada, o sujeito fala na hora”, exemplifica. Só Marcelo Madureira e Beto Silva, Hélio já conhece há 25 anos, desde os tempos em que os então estudantes de Engenharia da UFRJ resolveram fundar a revista Casseta Popular. Atualmente, Hélio desempenha a função de “Ministro da Internet” no grupo. Dentre as muitas atividades do Casseta & Planeta, ele é o responsável pelo conteúdo da página na internet, que recebe mais de 15 mil visitas por mês.