Mel Gibson perdeu uma ótima oportunidade para se explicar perante as plateias do mundo. Nos Estados Unidos, ele vem sendo massacrado pela imprensa por seus problemas domésticos. Preferiu fugir da raia em Cannes, deixando à atriz e diretora Jodie Foster a tarefa de defender “The Beraver”. O filme passou ontem fora de concurso. É sobre um homem em crise que se comunica com o mundo por meio de um boneco, uma marionete. Até que ponto um diretor, ou uma diretora, também faz do ator o seu marionete?

Jodie Foster, de volta a Cannes onde, como atriz mirim, participou de “Taxi Driver”, de Martin Scorsese – que ganhou a Palma de Ouro de 1975 -, sabe que todo diretor se utiliza dos atores. O que ela espera é que os problemas de Mel Gibson – acusado de agredir física e verbalmente sua ex-mulher russa – não levem os críticos a ignorar o que, para ela, é a excelência do seu trabalho como ator.

Pela mostra competitiva, ontem pela manhã passou o filme mais aplaudido pela imprensa, até agora. “Le Havre”, falado em francês, é um trabalho do finlandês Aki Kaurismaki, na linha dos seus êxitos precedentes em Cannes, “O Homem sem Passado” e “Les Lumières du Faubourg”.

Há um tom no cinema de Aki Kaurismaki, uma maneira de escolher o ator, de enquadrá-lo em cenários quase sempre minimalistas, com apelo a trilhas que parecem ecos do passado (um velho tango de Gardel, uma canção de Edith Piaf). E os personagens são sempre marginais – aqui é um velho engraxate de quem a companheira diz que é “uma criança grande”. Ela é internada, com uma doença grave. Simultaneamente, ele encontra esse garoto africano, perdido no porto de Le Havre. Toma-o sob a sua proteção. Vai fazer de tudo para que ele reencontre a mãe em Londres.

A atriz e diretora libanesa Nadine Labaki, que estourou nas telas do País com “Caramelo”, está de volta a Cannes com “Et Maintenant, On Va Ou?”, que foi exibido na mostra Um Certain Regard. Fala sobre mulheres que, numa aldeia libanesa, resolvem impedir que os homens, cristãos e muçulmanos, sigam se matando. Muitas cenas são encenadas como musicais.

Houve ontem à noite tributo a Jean-Paul Belmondo. Vários amigos vieram para a homenagem, inclusive Claudia Cardinale, com quem ele fez “Cartouche”, de Philippe de Broca. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.