Jorge Rodrigues Jorge/
Carta Z Notícias

Mayer deixou de lado o ?appeal? sexualizado de seus outros papéis e interpreta Augusto, um ex-roqueiro de sucesso e ufólogo.

Até José Mayer se esquece que estreou na tevê com a imagem desglamourizada do personagem Burro Falante em O Sítio do Picapau Amarelo, há 31 anos. Seus personagens mais conhecidos foram homens charmosos e mulherengos, como o Pedro, de Laços de Família. Após sucessivos personagens urbanos e conquistadores, o ator de 59 anos se entusiasma com o lunático Augusto César de A Favorita. Sem o ?appeal? sexualizado de seus outros papéis, Augusto tenta se manter fiel à ex-namorada Rosana, de Giulia Gam. Ex-roqueiro de sucesso nos anos 80 e ufólogo, o personagem acredita que Rosana – que mantinha um triângulo amoroso com ele e Elias Filho, de Leonardo Medeiros – foi abduzida por um disco voador. No entanto, a personagem fugiu abandonando o filho Shiva Lenin, de Miguel Rômulo, criado pelos dois ?supostos? pais. ?O menino mora com o Augusto, mas quer ser um engravatado. Não tem o delírio romântico desse pai, que é absolutamente diferente de tudo que fiz na tevê?, anima-se.

P – Esse personagem vai na contramão dos papéis pragmáticos que você interpretou na tevê. Como foi essa composição?

R – Ele é um cara delirante, desprendido de seu passado e absolutamente crédulo na ufologia. É um romântico visionário. Por isso, freqüentei encontros de ufólogos. Conversei com o pesquisador Marco Petit, co-editor da revista UFO, uma das mais respeitadas nesse assunto. Nessas reuniões, não só aprendi muito, mas vi que os interessados em fenômenos são pessoas absolutamente normais, como senhoras, senhores, jovens. Vivi um pouco o ambiente para observar os comportamentos.

P – Qual o seu posicionamento diante do estudo da ufologia?

R – Eu sou absolutamente cético, mas curioso. Concordo com um movimento mundial de estudiosos do assunto que cobram das autoridades e, principalmente da Nasa, o compartilhamento dos documentos e possíveis provas de contatos com extraterrestres, como imagens. Se ninguém libera as informações, cria-se inúmeras ficções, imagens fraudadas. Os governos poderiam esclarecer melhor os documentos que têm em mãos.

P – Como ele é um ex-roqueiro que fez sucesso nos anos 80, que referências estéticas e comportamentais você imprimiu nesse trabalho?

R – Voltei a tocar piano para aguçar minha sensibilidade com a música. Quanto mais tempo você tem de carreira, mais arsenal guarda para usar nos papéis. Sou mais fã do estilo do (ator Marcelo) Mastroianni do que do Robert De Niro. O ator é mais um charlatão que um cavalo. Sou um expositor de idéias e conteúdos, não um médium que incorpora espíritos. Observo pessoas nas ruas, pesquiso na Internet e na literatura. A referência estética dele veio no roteiro: é um homem que abandonou o sucesso e foi viver no mato. Ou seja, deixa o cabelo grande, não tem cuidado com o visual.

P – Como é mostrada na história a ?divisão? da paternidade do personagem Shiva Lenin?

R – Quando Rosana (personagem da Giulia Gam) foge com outro, Augusto tem certeza que ela foi abduzida por um óvni. Augusto e Elias não fazem o exame de DNA porque ela não queria que eles descobrissem quem era o verdadeiro pai. Ambos são muito diferentes. Enquanto meu papel é um delirante, o Elias é muito pé no chão. Eles parecem os dois maridos de Dona Flor. Mas o filho Shiva Lenin, que ambos criam como deles, mora com meu personagem na casa em forma de pirâmide.

P – Apesar de ainda apaixonado pela ex-namorada Rosana, seu personagem se envolve com outras mulheres na trama. Essa fama ?tímida? de mulherengo é a única herança de seus outros papéis na tevê?

R – Este é pouco agressivo no assunto (risos). Como ele é fiel à lembrança da Rosana, não procura outras mulheres. Quando alguma se interessa por ele, o Augusto se deixa seduzir. É o caso da jornalista Maíra, da Juliana Paes. Ela admira esse sujeito excêntrico e fiel. Mas ele também se envolve com a Donatella, da Cláudia Raia. Está longe dos meus outros papéis ?pegadores? (risos).