Com Luciano Sabino e
Leonardo Vieira: imprevisível.

A cena de Senhora do Destino era aparentemente simples. Os personagens de José Wilker e Leonardo Vieira, Giovanni Improta e Leandro, vêm conversando pela Vila São Miguel quando são abordados por dois cabos eleitorais distribuindo “santinhos” do Vereador Reginaldo, interpretado por Eduardo Moscovis. Com a propaganda eleitoral nas mãos, o ex-bicheiro não perde a chance de fazer graça: “Santinho aqui, santinho ali, isso aqui mais parece um santuário!”. Gaiato, Wilker logo pensou em trocar o “santuário” por “sanatório”. Foi o suficiente para arrancar risadas dos atores, figurantes e equipe técnica. “Eu me divirto muito em todas as cenas. Se a gente passa 12 horas por dia no trabalho, tem mais é de se divertir mesmo. Além disso, se a gente se diverte aqui, o público se diverte em casa…”, acredita ele.

E José Wilker tem toda a razão. Desde que Senhora do Destino estreou, Aguinaldo Silva já constatou que, quando o núcleo de Giovanni aparece na trama, a audiência sobe, em média, três pontos no Ibope. “Desde que percebi isso, resolvi transformar as cenas daquele núcleo numa espécie de ‘respiro’ da novela. Ou seja, depois de cenas de grande densidade, sempre corto para eles e o clima logo ameniza”, observa o autor.

Nas gravações, Wilker também gosta de descontrair o ambiente. Mesmo quando não está gravando, brinca com quem está em cena: “Oi, minha folhinha de alface!”, soltou ele, em saudação à atriz Ludmila Dayer, toda lépida e fagueira num vestidinho verde cintilante. Quando soube que contracenaria com Wilker em Senhora do Destino, a intérprete da fogosa Daniele sentiu um calafrio na espinha. O temor, porém, se dissipou logo na primeira gravação. “Ele não é do tipo que gosta de brilhar sozinho. Pelo contrário. Ele faz o gol dele e ainda dá o passe para você marcar o seu”, elogia Ludmila.

Ao contrário da atriz, com quem contracena pela primeira vez, José Wilker já é um velho conhecido de Aguinaldo Silva. Juntos, os dois fizeram Roque Santeiro, Fera Ferida e Suave Veneno. À primeira vista, o ex-bicheiro grosseirão que comete atentados contra a Língua Portuguesa ao tentar falar bonito parece inspirado no inesquecível Tony Carrado, interpretado por Nuno Leal Maia em Mandala, de Dias Gomes. O personagem fez sucesso junto ao público, principalmente pelas frases engraçadas que dizia, como Depois da tempestade, vem a ambulância e Vê se vai decorar necrotério, que dá mais certo. Aguinaldo Silva, porém, garante que não. Segundo ele, o personagem saiu das páginas do romance O Homem que Comprou o Rio, de sua autoria. “É exatamente o mesmo personagem: um bicheiro, neto de italianos, que construiu seu reino na Baixada Fluminense”, enfatiza.

Das muitas “pérolas” que Giovanni solta na novela, Aguinaldo Silva já escolheu a sua preferida: Toca pra frente, Valdir, porque o tempo ‘ruge’ e a Sapucaí é grande! Outras, ressalva Wilker, foram sugeridas até por figurantes. Dia desses, o ator estava gravando na quadra da fictícia Unidos de Vila São Miguel quando um membro da Grande Rio brincou com a gravata listrada de Giovanni: Cor sim, cor não, cor sim, cor não… “Algumas sugestões são tão boas que aproveito nas gravações”, admite Wilker. Fora de cena, o presidente da Unidos de Vila São Miguel torce pela Mangueira. “Não perco um só ano e sempre fico bestificado. O esforço que as escolas fazem para desfilar é felomenal!”, brinca, citando outra das “pérolas” favoritas de Giovanni.

Brincadeiras à parte, fenomenal mesmo é a disposição do ator, de 58 anos. Atualmente, ele concilia as gravações da novela com a apresentação do Cineview, do Telecine, as vinhetas da Rádio Paradiso e, principalmente, a presidência da Riofilme. “Sobram-me as madrugadas”, graceja. Na semana passada, ele terminou de gravar no Projac às sete da noite e partiu para a Riofilme, no centro do Rio. Lá, emendou diversas reuniões até as duas da manhã… “Sempre que posso, vou à Riofilme. E, quando não posso, resolvo as pendências por telefone, e-mail, carta, boy…”, diverte-se.