Curitiba foi a cidade que motivou o grupo a pensar num formato de show diferente do que já tinham feito e originou no Acústico Jota Quest – Músicas para Cantar Junto. Nesta sexta-feira (15), a banda se apresenta por aqui mais uma vez, com o show que já passou pela cidade com ingressos esgotados no ano passado e nesse ano não vai ser diferente, pois mais uma vez o grupo mineiro chega a capital paranaense sem que haja um ingresso disponível no Teatro Guaíra 

Rogério Flausino, o vocalista, disse estar feliz com o momento que a banda tem vivido. Em entrevista à Tribuna do Paraná, o cantor atribuiu a boa repercussão do trabalho do Jota Quest ao passado e ao presente. “Nós nunca paramos de trabalhar. Desde o começo da banda, sempre continuamos lutando e buscando por coisas novas, talvez isso tenha nos deixado firmes, pois é isso que nos move até hoje”.  

Durante a entrevista, de pouco mais de 20 minutos, Rogério contou que Curitiba sempre representou muito não só para ele, mas para todos da banda, pois foi a primeira cidade onde o grupo se apresentou num teatro e viu o quanto poderia ser válida a experiência. “A gente nunca tinha tocado em teatro, Curitiba foram as primeiras vezes, e isso nos incentivou a chegarmos no acústico. Começamos a notar que poderíamos ter um show que poderia ser feito em lugares clássicos, claro, com repertório pra isso. Agora estamos saboreando essa onda no Brasil inteiro”, contou. 

Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

Cantar junto! 

Seguindo o estilo do rock, o show segue bem a ideia do nome que leva: músicas para cantar junto. Rogério Flausino adiantou que o repertório passeia pela trajetória de 20 anos de sucesso do grupo em versões desplugadas. Na lista das músicas não vão faltar hits como Dias Melhores, Amor Maior, Só Hoje, Fácil, Encontrar Alguém e até mesmo Pra Quando Você Se Lembrar de Mim, escolhida para ser o primeiro single do projeto. 

Apesar de um show acústico, se engana quem pensa que a apresentação da banda tem pouca duração: o show tem 24 músicas. “Dura duas horas e pouco. Além disso, o visual do show é muito legal, o que ajuda muito. O que a gente procura, é fazer com que os fãs entrem numa viagem com a gente, não só pelos nossos sucessos, mas na música de modo geral mesmo”. 

Usando violão, pianos, gaita e backings mais apurados, o novo show conquistou espaço principalmente por ser um momento mais próximo da banda com os fãs. “Claro que nós continuamos gostando muito de fazer o outro estilo, do Jota Quest mais dançante, mais festivo, mas estamos aproveitando muito esse momento intimista e os frutos que isso tudo tem nos trazido”, avaliou Rogério. 

"O teatro mudou nossa performance no palco", avaliou Rogério Flausino. Foto: Divulgação.
“O teatro mudou nossa performance no palco”, avaliou Rogério Flausino. Foto: Divulgação.

Rogério disse que percebeu que o teatro mudou a forma de a banda toda se apresentar. “Mudou nossa performance no palco. E o que eu acho mais legal é que o teatro permite que, no tempo de duração do show, aquele momento seja nosso e do público, sem fatores externos para atrapalhar. O teatro permite que as pessoas curtam o momento e nós também”.  

No ano passado, Curitiba foi uma das primeiras cidades a receber o acústico e, segundo o próprio cantor, a diferença da primeira passagem são algumas músicas novas que acabaram entrando. “Sem contar que agora estamos mais acostumados com o estilo também. De lá pra cá fizemos mais de 60 shows, então pegamos o ritmo, tiramos algumas coisas que percebemos que não ficaram legais e colocamos músicas do novo trabalho, enfim, tá muito legal”.  

Gangorra do rock 

Vivendo há mais de 20 anos nessa linha tênue que é o mundo do rock, Rogério disse que o importante e o que faz o estilo musical não morrer é a luta dos próprios artistas. “É uma gangorra natural. A música pop é mutante e o Brasil tem estilos que só temos aqui. O rock já foi o som do momento em outras situações, mas sou do time que vai a luta e faz acontecer ao invés de ficar só reclamando”.  

Segundo o cantor, que teve a chance de vivenciar vários momentos da música brasileira, até mesmo das modificações dos formatos de se vender os trabalhos, fazer rock já é fazer o contrário do que todo mundo faz. “No Brasil, quando você faz rock, você já nada contra a corrente. Mas o nosso país se tornou um prato cheio para fazermos rock, por conta da situação caótica da nossa política, por exemplo, mas até mesmo por esse ‘impedimento’ que esse estilo musical sofre”.  

Para Rogério, aos amantes do rock, não resta muito, a não ser lutar. “A gente tem que seguir em frente, firme e continuar trabalhando. Ninguém pode segurar um movimento artístico cultural. Quando começamos, começamos por paixão, e é isso que nos move até hoje”.