O diretor Sylvio Back: seu
“Lost Zweig” levou três prêmios.

Brasília – Filme de Amor, de Julio Bressane, foi o grande vencedor do 36.º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o mais importante do País. O longa-metragem, além do Candango de melhor filme, recebeu os de trilha sonora (Guilherme Vaz) e fotografia (Walter Carvalho). Com esse resultado, Bressane passa a ser o único tricampeão do festival: já havia vencido antes com Tabu, em 1982, e com Miramar (dividindo com Anahy de las Misiones) em 1997. Filme de Amor foi premiado com 80 mil reais, mais 5 mil reais de prêmio estímulo do Ministério da Cultura, sem contar os mimos de produção.

Signo do Caos levou os troféus de montagem e direção. O diretor, Rogério Sganzerla, não estava presente, pois está em tratamento de saúde. Quem recebeu o prêmio foi sua filha Djin. Emocionada, ela disse que há poucos dias ouvira do pai a seguinte frase: “A única coisa que pode me curar é uma câmera. Viva o cinema!”. O cineasta embolsou 20 mil reais.

A surpresa ficou por conta de Lost Zweig, filme do “catarinense-curitibano” Sylvio Back, que levou as estatuetas de roteiro, direção de arte (Bárbara Quadros) e atriz, para a austríaca Ruth Reiser, que passa a ser a primeira estrangeira a receber um prêmio de interpretação no Festival de Brasília. Cada prêmio equivale a 10 mil reais.

Garotas do ABC, de Carlos Reichenbach, tido como um dos favoritos para vencer o festival, teve de se contentar com os dois troféus para ator e atriz coadjuvantes (Vera Mancini e Ênio Gonçalves), cada um de 5 mil reais, e um excêntrico prêmio especial do júri para o argumento do filme.

Surpresa

Surpreso, Reichenbach pediu à apresentadora, a atriz Zezé Motta, que repetisse se era mesmo um prêmio por argumento. Com a confirmação, não conteve seu espanto: “Cacete!”, exclamou no palco do Teatro Nacional.

Harmada, de Maurice Capovilla, levou o prêmio de melhor ator, para Paulo César Pereio (10 mil reais). O único documentário concorrente, Glauber, Labirinto do Brasil, recebeu o prêmio do júri popular (30 mil reais). Acumulou essa estatueta com a premiação da crítica e também com um prêmio não-oficial, o Marcantonio Guimarães, destinado a filmes que melhor utilizam material de arquivo.

Na categoria curta-metragem em 35 milímetros, venceu Rua da Amargura, de Rafael Conde, segundo o júri oficial. O júri popular premiou Momento Trágico, de Cibele Amaral. O melhor filme na bitola 16 milímetros foi Suicídio Cidadão, de Iberê Carvalho.