Se em Kill Bill – Volume 1 o diretor ousou e fez um filmaço cheio de lutas marciais sensacionais e referências a filmes japoneses, o Volume 2 traz sua essência de volta: personagens ardilosos, cenas non sense, diálogos incríveis e pouca, muito pouca batalha de espada. A aguardada seqüência foi exibida pela primeira vez no Brasil em uma sessão especial para a imprensa nesta segunda-feira antes de entrar na programação do Festival do Rio 2004, que começa esta sexta-feira e segue até o dia 10 de outubro.

Kill Bill – Volume 2 já é, sem dúvida, o filme mais disputado do festival ao lado de Má Educação, de Pedro Almodóvar. Prova disso foi a sessão fechada, que lotou o Cine Odeon de fanáticos por Tarantino, cineclubistas e estudantes de cinema que, lamentavelmente, costumam invadir as cabines de imprensa nesta época. O lado bom é que a exibição serviu de termômetro (quente e positivo) do filme, que chegou a ser considerado pior que o primeiro por alguns críticos lá de fora. Bobagem. É apenas diferente. O que o diretor faz agora é quebrar um pouco a expectativa dos fãs do Kill Bill 1. Se você for ao cinema esperando novas e melhores cenas de lutas que o primeiro, esqueça. Aqui você vai ver muito mais falatório. E muito mais romance.

Isso mesmo, romance. Tarantino nunca foi tão romântico como agora. Para todas as perguntas em aberto no Kill Bill 1, há uma resposta sentimental no 2. Como a noiva (Uma Thurman) se tornou uma assassina? Por que Bill (David Carradine) a mandou matar? Que fim teve sua filha? Por que a cobra californiana (codinome de Daryl Hannah) usa tapa olho? Todas as explicações estão lá e são capazes de fazer você se solidarizar com todos os vilões.

É também um diálogo entre os dois que encerra o filme, comprovando o talento de Tarantino em usar a violência para ilustrar um mundo mordaz e irônico. O de Uma Thurman ao ser a perfeita mulher menos frágil do cinema atual e de David Carradine que se tornou a grande e surpreendente estrela do filme.