Em Trânsito tem um tom cinza, mas a leveza e a suavidade é a saída, assim define Lenine sobre seu novo trabalho, que surgiu para quebrar os padrões. Gravado ao vivo, ao invés de entrar em estúdio para dar vida a um material completo, o cantor lançou um show que começou a circular pelo país e passou por Curitiba no último sábado (23).

Em entrevista antes de subir ao palco da Ópera de Arame, Lenine disse que tudo o que buscou foi sair da mesmice. “Tem a ver com a alma inquieta que eu tenho e sempre foi assim. Acho que toda profissão depois de muitos anos é natural que exista um sentimento de repetição, que eu não gosto”, comentou o cantor.

Sem querer entrar em estúdio e ficar meses gravando, Lenine inverteu a ordem das coisas e começou por um show. “Eu fico, ao longo do tempo, procurando outros caminhos. No caso do Em Trânsito, isso ficou mais evidente pelo fato de estarmos vivendo essas mudanças numa velocidade tamanha”.

Lenine é do tipo de artista que sente a música, não simplesmente a faz. Foto: Lucas Sarzi.
Lenine é do tipo de artista que sente a música, não simplesmente a faz. Foto: Lucas Sarzi.

Ao contrário de entrar em estúdio para gravar um disco, o que lhe tiraria dos palcos por pelo menos seis meses, Lenine resolveu aproveitar o estúdio para criar um novo show. “Tivemos poucos dias, aproximadamente 20, para poder fazer um novo show. Isso incluía até mesmo as músicas novas, que foram surgindo a partir do momento em que temos vivido”.

O show segue bem a intenção do cantor de Recife, Pernambuco, que era o de passar a inquietude que sente e, ao mesmo tempo, algo diferente do que já tinha feito até agora. Com letras críticas e a pegada forte que sempre teve, Lenine comentou que tudo tem interferido em suas composições, ainda mais no momento em que o país vive. Um exemplo disso é Intolerância, uma de suas novas músicas, que por si só trata de um assunto bem carregado.

Música na alma

Há quase 40 anos na música, o cantor avalia que a influência que acaba tendo na vida das pessoas com suas letras é mais importante que qualquer prêmio. “As pessoas dizem que estavam em momentos difíceis e a minha música foi como trampolim. Eu, como compositor, digo que isso é mais importante que qualquer prêmio, pois é uma certeza de que toquei a alma daquela pessoa, o que é muito mais útil do que meramente entreter”.

Feliz por se apresentar na Ópera de Arame, onde pisou pela primeira vez, Lenine também disse que Curitiba é uma cidade especial e que cada show por aqui faz com que se sinta cada vez mais em casa. “Estar há tanto tempo possibilita que a gente respire a cultura de cada lugar. Curitiba me traz memórias muito anteriores a tudo isso. Ao longo dos anos você vai entendendo e começa a respirar a cultura de cada lugar”.

Apesar de ser um novo show, a turnê traz, além das novas músicas, criadas para o projeto, também sucessos: não ficam de fora do setlist canções como Paciência, Eu quero sair Só e Jacksoul Brasileiro. Lenine é tão sensível que costuma surpreender e também pode mudar sua lista conforme sente o público. Veja a entrevista completa: 

Vem mais

O projeto Em Trânsito, que ajuda até mesmo a influenciar outros artistas, virou um DVD e um LP, que deve ser lançado nos próximos meses. Um documentário também está previsto para sair logo. “E tem mais uma coisa, vou pegar cada uma das canções inéditas do show e vou produzir em estúdio, que deve sair ao final da turnê”, garantiu Lenine.

Foto: Lucas Sarzi.
Foto: Lucas Sarzi.