“O nosso norte absoluto sempre foi nossa intuição, o que nossos fãs iriam pensar, e não o que era mais conveniente na ocasião”. É assim que Bruno Medina, tecladista do Los Hermanos, define a carreira da banda e é por aí que se mede o porquê de a banda fazer sucesso há mais de 20 anos. Reforçando a iniciativa de aceitar as diferenças e valorizar o amor, o grupo dá aos fãs de Curitiba, nesta sexta-feira (10), o presente de fazer parte de um momento histórico dos cariocas roqueiros, que retomaram as atividades numa turnê comemorativa dos 20 anos do primeiro álbum, percorrendo 11 capitais.

Em Curitiba, Los Hermanos sempre tiveram um público muito fiel, até por isso a cidade não ficou de fora da última turnê feita pela banda, em 2015. Quatro anos depois, Bruno disse à Tribuna do Paraná que o sentimento é de muita nostalgia além de gratidão. “Gostamos muito de tocar em Curitiba, afinal essa foi uma cidade em que tivemos um crescimento significativo de público nos últimos anos”.

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Foto: Caroline Bittencourt/Divulgação.
Foto: Caroline Bittencourt/Divulgação.

O show do Los Hermanos na capital vai abrir o Festival Coolritiba, na Pedreira Paulo Leminski, que neste ano terá dois dias de shows. “É um dos lugares mais bonitos para se tocar no Brasil, aquelas árvores frondosas cercando o palco, a escuridão da floresta ressaltando a plateia. Mas a cidade em si é especial. Como sempre nos hospedamos no Centro, tenho muitas lembranças de garimpagens em brechós, da boa comida italiana”, comentou Bruno.

Numa turnê bem aceita por onde o grupo passou, com show cheio no Maracanã, por exemplo, esse revival dos Los Hermanos vem num momento especial não só para os fãs, mas para os integrantes também. “As vivências de cada um sempre somam de maneira positiva. Durante mais de uma década, cada integrante da banda conduziu sua vida profissional da maneira que julgou mais adequada e isso, por si só, se reflete em experiências distintas das que tínhamos anteriormente, quando só havia o Los Hermanos como canal de expressão artística”, avaliou Bruno.

Para o tecladista, tudo que o grupo formou fora do que estavam acostumados fez com que até mesmo a visão de banda se transformasse. “Foram outros os objetivos, formatos, os parceiros, e toda essa riqueza só engrandece esse momento em que estamos juntos novamente. A intimidade musical é a mesma, as piadas, as conversas, tudo muito preservado nesse sentido, o que muda é a vida vivida, por assim dizer, são as experiências profissionais e pessoais que cada um acumulou ao longo desses últimos 12 anos e que, de alguma forma, refletem quando estamos no palco”.

Rock romântico

Foto: Caroline Bittencourt/Divulgação.
Foto: Caroline Bittencourt/Divulgação.

Desde o começo, o grupo fez do rock alternativo a voz para falar de algo que sempre esteve em falta, mas hoje em dia mais ainda: o amor. Num momento em que Bruno avalia ser de profunda polarização de valores, a mensagem do Los Hermanos contribui para que algo bom seja dito. “Ainda sinto muito presentes os reflexos do acirramento dos ânimos, que ocorreu durante as eleições e que desencadeou uma onda de violência que pode até se dar majoritariamente no âmbito da internet, mas que tem consequências nefastas na vida de algumas pessoas. Não tenho a petulância de achar que nossa turnê tem alguma contribuição significativa a dar nesse contexto, exceto pelo fato de que praticamente todas as nossas músicas tem como tema o amor, em suas diversas possíveis formas. Num momento como esse, qualquer iniciativa que enalteça a aceitação das diferenças ou a si próprio, o amor livre, o ao próximo, que quebre o discurso da segregação, já é válido”.

Completando, neste ano, 20 anos do lançamento do primeiro álbum, o tecladista avalia que não dá para olhar para trás sem perceber que talvez o grande segredo da banda seja nunca ter nutrido expectativas sobre o futuro. “Ao melhor estilo ‘distraídos venceremos’ fomos somando conquistas relevantes. Chegamos a ter a música mais tocada no Brasil em 2000 [Anna Julia] e agora, vinte anos depois, estamos tocando no Maracanã, que considero um feito notável na carreira de qualquer artista brasileiro. Entre uma coisa e outra, claro que foram muitos os descaminhos, mas, de maneira geral, tenho bastante orgulho da nossa trajetória, porque foram poucas as concessões que fizemos ao longo destes anos”.

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Abertura com classe

Foto: Lucas Sarzi.
Tim abre show do Los Hermanos em Curitiba. Foto: Lucas Sarzi.

Em Curitiba, Los Hermanos tocam na Pedreira Paulo Leminski depois de Tim Bernardes, músico que Bruno Medina considera ser um dos melhores da nova geração. “Há muitos, muitos até para serem citados, mas Rubel e Tim Bernardes, que estão abrindo alguns dos nossos shows, foram os que mais nos chamaram a atenção recentemente. Estamos felizes em poder dividir o palco com eles”.

Los Hermanos sobem ao palco a partir das 21h30, mas vale a pena chegar antes, às 19h30, e conferir o som de Tim Bernardes. Os ingressos custam a partir de R$ 120 (mais taxa) e podem ser comprados na hora, na bilheteria. A venda é feita pelo site Eventim.

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