Uma boa alternativa para os curitibanos com tendências eremitas: a partir de hoje, poderão assistir ao espetáculo teatral Água Revolta dentro de casa. Só que a casa em questão fica no centro de Curitiba, e pertence ao diretor Marcos Damaceno, que também assina o texto. A direção de movimento é da prestigiosa Sandra Zugman.

O diretor, que recebeu o troféu Gralha Azul em 2000 por Pedro, Pedrinho, Pedreco, considera o seu trabalho “impossível de julgar de acordo com os padrões do teatro clássico”: “Não há um enredo no sentido comum da palavra”, avisa. “Trata-se de uma exposição de palavras e sentimentos de viés existencialista”.

“Jorro”

Para ele, o “jorro” de palavras dos personagens A, B, C, D e E “retrata os anseios afetivos de pessoas anestesiadas pelo vazio da condição humana, e pela vacuidade que se instaurou nas relações interpessoais”. Cabeça. Damaceno observa ainda que a estrutura remete ao “teatro do absurdo” – lógica não linear, diálogos aparentemente desconexos e fragmentados pontuam o enredo de Marcos Damaceno.

No elenco estão Rosana Stavis, Fabiano Amorin, Marcelo Bagnara e Karina Pereira, que segundo o diretor “imprimem uma densidade e pulsação que convidam o público a apreciar a peça mais pelas sensações do que através do que pelo intelecto, deixando de buscar uma compreensão racional para o desenvolvimento das ações”. Traduzindo: não tenha a pretensão de “entender” coisa alguma.

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Sextas e sábados às 21h, e domingos às 19h, até o dia 23 de novembro. A “Casa do Damaceno” fica na Rua Treze de Maio, 991. Ingressos a 10 e 5 reais.