Manchester à Beira-Mar, que estreia no Brasil nesta quinta-feira, 19, é uma volta por cima e tanto de seu diretor, Kenneth Lonergan, que se envolveu numa batalha de seis anos para lançar seu longa anterior, Margaret (2011), por divergências com os produtores e o estúdio. Em entrevista durante o Festival de Toronto, ele minimizou o caso. “Fiquei muito tempo sem dirigir filmes porque dá muito trabalho. Nesse período, escrevi três peças. No meu entender, estava muito ocupado. Mas, aparentemente, para o resto do mundo sou um preguiçoso”, disse o nova-iorquino, que também é corroteirista de Máfia no Divã (1999), A Máfia Volta ao Divã (2002) e Gangues de Nova York (2002e diretor de Conte Comigo (2000).

O projeto caiu em seu colo por acaso. Os atores Matt Damon e John Krasinski pediram que Lonergan escrevesse o roteiro a partir de uma ideia dos dois, sobre um homem que deixou sua cidade e, depois de anos, é resgatado por seu irmão, que lhe pede para cuidar de seu filho. Era para Damon dirigir. Mas ele acabou desistindo e pediu para Lonergan assumir a função. Para garantir que a visão do cineasta fosse preservada desta vez, Damon, um dos produtores, exigiu o corte final.

Casey Affleck – que ganhou o Globo de Ouro 2017 de melhor ator de drama pelo papel e é forte candidato na corrida pelo Oscar -é Lee Chandler, que trabalha como faz-tudo de um condomínio em Boston, mora num quartinho deprimente, não tem amigos, quase não fala, mas se mete em brigas de vez em quando. Um dia, recebe o aviso de que seu irmão Joe (Kyle Chandler) morreu. Volta à sua cidade natal, Manchester by the Sea, no Estado de Massachusetts. Seu irmão deixou especificado no testamento que deseja que seu filho, o adolescente Patrick (Lucas Hedges), que foi abandonado pela mãe, seja criado pelo tio.

Ao mesmo tempo em que retoma o contato com o sobrinho, Lee resiste a ficar. A razão é explicada aos poucos, em flashbacks longos, que cortam a narrativa sem aviso. “Eles vêm em blocos e têm uma progressão, meu montador disse que era como uma história paralela em vez de flashbacks”, explicou Lonergan. “É algo que passa pela cabeça de Lee o tempo inteiro, ele está meio vivendo no passado e no presente ao mesmo tempo, e a estrutura reflete isso. Não foi de propósito, mas foi um acidente feliz.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.