Entre as raras oportunidades de assistir a curtas-metragens na telona, tem destaque a estreia de um projeto mais raro ainda: Manifesto Makumbacyber, realizado pelo coletivo Fata Morgana, com sessão nesta quinta-feira, 12, às 21h, no Cinesesc, em São Paulo.

Após a exibição do filme, que dura 12 minutos, haverá uma apresentação do grupo Bloco Afro Ilú Obá De Min, composto por 140 mulheres percussionistas. Os ingressos podem ser retirados gratuitamente uma hora antes da sessão. “Mais difícil que ver um curta no cinema, já que não há espaço de exibição fixo, é ver esses artistas tão únicos em performance no palco de uma sala incrível como o Cinesesc”, comentou o cineasta Beto Brant, que assina a direção do filme.

Manifesto, o curta, nasceu de forma espontânea, a partir da performance homônima fundado há 13 anos pelo artista multimídia, músico, cantor e compositor Xarlô, que professa, em uma manifestação catártica, as raízes da cultura africana. Com olhar que observa, o filme registra a estética e atuação do Manifesto com o intuito de mostrar o que os artistas contemporâneos da cidade têm proposto musicalmente, cenicamente e poeticamente. “Levamos em conta o legado histórico deixado pelas matrizes africanas. Nossa ideia é trazer o sagrado para as ruas. É ver como estamos ocupando nossa cidade”, comenta Brant.

Realizado em 2012, o filme foi rodado em duas situações. A primeira foi durante a abertura oficial do carnaval de São Paulo, em ocasião do desfile do Bloco Afro Ilú Obá De Min. Xarlô apresentou o Manifesto na abertura do desfile, quando uma multidão repetia: “Nós trazemos a Bandeira da Paz!”, refrão da Makumbacyber. A segunda foi durante o Festival Catarse, que ocorreu na Casa das Caldeiras, em São Paulo, no mesmo ano. Criado pelo músico e compositor Luiz Gayotto, já reuniu, em dez anos de existência, mais de 600 artistas de várias regiões do País.

“A escolha desses dois movimentos culturais se dá pelo fato de nossas histórias estarem fundidas em trabalhos mútuos e cooperativos, sendo seus fundadores, Bethi Belli e Gayotto, integrantes da Makumbacyber”, comenta Xarlô.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.