“Essa marra que tu tem, qual é?” – é o refrão que Marcelo D2 canta, debochado, no encerramento de seu CD Acústico MTV. A pergunta expressa, certeira, o tom de desafio que está presente de ponta a ponta (sem trocadilho) do disco prestes a ser lançado. Sob as rimas, os tamborins, as cordas, os pianos e cavaquinhos do álbum, quase dá para se ouvir D2 decantando sua marra: “Qual é, neguinho, você que repete por aí que o samba agoniza”; “qual é, neguinho, mano que diz que o rap não pode se contaminar com a alegria popular do pagode”.

Com um Acústico MTV que aprofunda a fusão rap-samba apenas anunciada no premiadíssimo À Procura da Batida Perfeita, D2 deixa o tal neguinho sem resposta. O disco flagra o momento exato em que o rap brasileiro começa a deixar de ser só um gênero destacado e se entranha realmente no caldo chamado de música popular brasileira, como já aconteceu outrora com o jazz, o funk e o rock – sempre com o samba fazendo a liga. D2 confirma.

“No Acústico boto minha cara a tapa. Sei que tem gente de dentro do rap que não vai gostar. Não faço rap purista, sampleando George Clinton e James Brown, não quero tocar só para o público do rap. Quero chegar ao fã do Jorge Ben, do Zeca Pagodinho, dos Racionais MCs”, provoca, para dar outras espetadas: ” a música é maior que essa coisa de usar boné e bermuda larga. É maior que esse movimentozinho. Sempre fiz meu movimento, nunca fui em outras ondas”, conclui.