O ator Mário Frias bem que tentou, mas não conseguiu passar despercebido nas gravações do Tira Onda, do Multishow. Embora esteja sem fazer tevê no momento, foi reconhecido pelos clientes de uma loja de fotocópias em Ipanema, na zona sul do Rio. Durante as quase duas horas em que participou do "reality-show", Mário Frias não só foi reconhecido, como também recebeu pedidos de autógrafos, foi parabenizado pelo Thomas Jefferson, de Senhora do Destino, e, principalmente, participou de cenas de tietagem explícita. "A primeira cliente que eu atendi já me reconheceu. Não teve muito como fingir que não era eu…", admite, entre aliviado e orgulhoso. Ao reconhecerem o ator, algumas vendedoras de uma loja de departamentos da vizinhança arranjaram as mais descabidas desculpas só para verem o ídolo de perto. "Já valeu só de apertar a mãozinha dele", derreteu-se Luciana. "Vou arranjar algo para xerocar e volto já…", avisou Karina.

Luciana e Karina, porém, não foram as únicas. Em pouco tempo, quase todas as funcionárias da loja inventaram um pretexto para tirar uma xerox. O pior é quando, na fila única, calhava de elas serem atendidas por outro operador que não fosse o Mário Frias… "Teve gente que perguntava: ‘Puxa, eu não conheço você de algum lugar?’. Nessa, eu respondia: ‘Mas que cantada velha, hein?", brinca o ator. Nessa brincadeira toda, quem ficou feliz mesmo foi dona Fátima Miranda, que cedeu a loja para as gravações. Antes de o "reality" propriamente dito começar a ser gravado, ela deu algumas dicas para Mário Frias. Na parte do programa conhecida como "laboratório", o convidado tem de aprender, em pouquíssimo tempo, noções básicas da tarefa que vai executar. "A parte mais difícil é sempre entender o que o cliente quer. Na maioria das vezes, ele pede uma coisa, mas, na verdade, quer outra", pondera dona Fátima.

Mas Mário Frias até que se saiu bem. "O mais difícil foi ter de atender a tantos pedidos ao mesmo tempo. É tanto detalhe que, às vezes, você se atrapalha todo…", avalia o ator que, no final do dia, ainda arranjou tempo para demonstrar o pouco que aprendeu e imprimir, através da técnica de serigrafia, uma foto do filho Miguel numa camiseta branca. De certa maneira, a experiência de atender o público por trás de um balcão serviu como uma viagem no tempo para Mário Frias. Muito antes de sonhar em ser ator, ele trabalhou num cartório durante quatro anos. Lá, autenticava documentos, reconhecia firmas, entre outras tarefas igualmente burocráticas. "Não dava muito para gostar do que eu fazia, né? Eu era muito garoto, só fazia aquilo mesmo para ganhar dinheiro", entrega.

O dia de gravação de Mário Frias no Tira Onda até que foi tranqüilo se comparado ao de outros colegas de profissão. O que inaugurou o programa, com o ator Leonardo Vieira, por exemplo, foi totalmente gravado dentro de um táxi. As edições com Juliana Paes e Letícia Spiller também não foram das mais simples. A primeira foi gravada num quiosque do Posto 9, em plena Praia de Ipanema, zona sul do Rio, num domingo de sol. E a segunda no camelódromo da Uruguaiana, no centro do Rio, num dos dias e horários de maior movimento: sábado pela manhã. "Não saberia eleger o meu favorito. O mais bacana é que um nunca é igual ao outro. Nenhum deles se repete", garante o diretor Eduardo Albergaria.