“Relances da experiência vivida, recolhidos em tramas brevíssimas de dicção enxuta em que tudo ganha nitidez máxima e o máximo poder de iluminação”. Assim são as histórias que o premiado escritor Milton Hatoum reuniu em seu primeiro volume de contos intitulado “A Cidade Ilhada”.

O autor virá a capital paranaense amanhã para um bate-papo com o público. O encontro será às 19h30, na Livrarias Curitiba Megastore do Shopping Estação, com entrada franca.

As sementes das histórias de Hatoum não poderiam ser mais diversas: a primeira visita a um bordel em “Varandas da Eva”; uma passagem de Euclides da Cunha em “Uma carta de Bancroft”; a vida de exilados em “Bárbara no inverno” ou “Encontros na península” e ainda o amor platônico por uma inglesinha em “Uma estrangeira da nossa rua”. Com mão discreta e madura, o escritor trabalha esses fragmentos da memória até que adquiram outro caráter: frutos do acaso e da biografia pessoal, eles afinal se mostram como imagens exemplares do curso de nossos desejos e fracassos.

Desejos e fracassos, aliás, respondem pela rede subterrânea que amarra os contos dessa obra. Se o desejo, a literatura ou a viagem leva os personagens a expandir o raio de sua ação e a transpor as barreiras da infância e da moral, da classe e da província, estes mesmos elementos não se dão por vencidos e – mais cedo ou mais tarde – recaem sobre os heróis como uma fatalidade que os traz de volta a um centro imóvel.

Reconhecimento

Tradutor, professor e considerado um dos grandes escritores brasileiros, Milton é descendente de libaneses, ensinou literatura na Universidade Federal do Amazonas e na Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA). Seus textos coesos e precisos trazem o leitor a uma interpretação particular e singela.

Suas outras obras deram notoriedade dentro e fora do Brasil. “O livro Dois Irmãos confirmou Hatoum como um dos maiores romancistas da América do Sul. Em Cinzas do Norte, a derrota de uma geração e sua transcendência moral dão ao romance uma amplitude épica”, publica Maya Jaggi, do jornal britânico The Guardian. “Apesar de sua obra até então bastante reduzida, ele se estabelece definitivamente como uma figura central da literatura brasileira contemporânea”, menciona Florian Borchmeyer, do periódico Frankfurter Allgemeine Zeitung.

Andanças pelo mundo

Méritos à parte, o curioso desse escritor é que ele cursou arquitetura e urbanismo na USP, ao contrário do que alguns imaginam que frequentara o curso de letras. Em 1980, viajou para a Espanha como bolsista do Instituto Iberoamericano de Cooperación e morou em Madrid e Barcelona. Em seguida, foi para a França e fez pós-graduação na Universidade de Paris III.

Depois de concluído os cursos superiores, ele retorna para Manaus – onde nasceu – e passa a lecionar língua e literatura francesa na Universidade Federal. O livro Relato de um Certo Oriente foi publicado em 1989, quando tinha 37 anos, e de cara ganhou o prêmio Jabuti de melhor Romance. O segundo livro foi Dois Irmãos, em 2000, e também ganhou o mesmo prêmio. Essas obras foram publicadas em oito países.

O título de doutor em Teoria Literária pela USP veio em 1998, quando sentiu-se insatisfeito com a política de Manaus e passou a morar definitivamente em São Paulo. Com Cinzas do Norte, de 2005, Hatoum ganhou os prêmios Jabuti, Bravo!, APCA e Portugal Telecom. Em 2008, publicou Órfãos do Eldorado.

Agora, em novos campos da escrita, ele mostra em sua primeira coletânea de contos A Cidade Ilhada a mesma qualidade que lhe é peculiar. Por fim, o leitor vai se deliciar com as tramas e conflitos narrados em cada parágrafo, do início ao fim. Atualmente, Hatoum é colunista do Estado de S. Paulo e do Terra Magazine.

O que: Lançamento do livro “A Cidade Ilhada”, bate-papo e sessão de autógrafos com o escritor Milton Hatoum

Serviço

O que: Lançamento do livro “A Cidade Ilhada”, bate-papo e se,ssão de autógrafos com o escritor Milton Hatoum.

Quando: 24 de junho de 2009, às 19h30.

Onde: Livrarias Curitiba Megastore do Shopping Estação (av. Sete de Setembro, 2775, Centro, tel. 41-3330-5119 / 3330-5000).

Quanto: Entrada franca