O Brasil acaba de ganhar seu primeiro dicionário de moda. Com 1.400 verbetes do mundo fashion e outros nem tão estilizados, a editora Campus/Elsevier lançou Dicionário da moda, de Marcus Sabino. Como o próprio autor justifica: a moda não é apenas o chamado fashion, mas também envolve comportamento, história, geografia, artes, matemática e a cultura de forma ampla. ?Ela tem personalidade e deixa suas marcas através dos tempos.? Com 668 páginas, a obra reúne textos e fotografias raras de Dom Pedro I a Gisele Bündchen (Dicionário da moda, 21 x 28 cm –  R$ 159).

Apaixonado por corte e costura desde jovem, na década de 80 Sabino deixou a medicina de lado para se dedicar ao que gostava, e se tornou estilista de bijuterias e acessórios. De lá para cá, consagrou-se como um dos principais criadores de bijoux do País, conquistando vários prêmios. O dicionário é fruto de uma pesquisa direcionada que levou três anos, além de seu conhecimento como apreciador, e resgata personagens, fatos e ícones da história da indumentária mundial, principalmente a brasileira.

?O Brasil possui história da moda, não digo que seja uma história totalmente autoral, mas ela sempre existiu. As pessoas sempre se vestiram, vários profissionais a produziram e outros tantos se ocuparam em falar dela??, afirma o autor. Com a ajuda de amigos e profissionais, Sabino reouve fotografias raras e recordou nomes já esquecidos. Já no primeiro verbete, A Cigarra, o autor lembra da revista feminina de variedades lançada em 1914, em São Paulo. O periódico tinha seções de moda, culinária, decoração, música e moldes.

Sob o aspecto histórico, a moda traduz o comportamento e os movimentos sociais de cada época. Durante a Revolução Francesa, por exemplo, um par de calças de malha, os cullotes, se tornou o símbolo máximo da desigualdade entre aristocratas e homens do povo, chamados de sans-cullotes por não usarem a peça. Em Belle Époque, Sabino indica o período entre 1895 e 1914 com seus avanços econômicos e tecnológicos que geraram riquezas e modificaram o modo de vida burguês. ?Centro de convergência mundial, Paris ditava a moda criada por seus criadores, influenciava outros povos e gozava as benesses promovidas pela Revolução Industrial e pelo sistema capitalista.??

De Coco Chanel a Clodovil, passando pelos saudosos Denner e Versace, o livro dedica um verbete para cada um daqueles que contribuíram significativamente com suas criações. Top models de todos os tempos, como Gisele Bündchen, Naomi Campbell, Cindy Crawford, Luiza Brunet e Mila Moreira também viraram referência, sem deixar de lado celebridades como Jacqueline Kennedy, Maria Thereza Goulart e Lady Di.

A curitibana Isabeli Fontana é verbete e o autor lembra que desde os 13 anos ela tinha vontade de ser modelo. Após seu terceiro lugar num concurso promovido pela agência Elite, tem sido fotografada pelas principais revistas do mundo. O dicionário ainda constata os diferentes cortes, tecidos, estampas e tendências de cada época para estudantes e amantes da moda.