A atriz Vida Alves, que marcou a história da televisão brasileira ao protagonizar, ao lado de Walter Foster, o primeiro beijo em uma telenovela nacional em “Sua Vida Me Pertence”, na TV Tupi, em 1951, morreu nesta terça-feira, 3, em São Paulo. Ela estava com 88 anos e sua morte foi causada por falência múltipla de órgãos.

Como na época não havia videotape, as novelas eram apresentadas ao vivo – apenas um fotógrafo registrava as cenas, mas, nesse caso, por conta do escândalo, o profissional se recusou a registrar a cena, alegando que nenhuma revista compraria uma imagem como essa. Em entrevista ao site G1, em 2013, Vida contou que a cena do beijo foi realizada sem qualquer ensaio.

“Walter Foster era o diretor artístico, de certa forma meu chefe. Ele explicou ao meu marido, numa visita à minha casa, como seria. Absolutamente marcado. Tal postura, tal olhar, a boca ligeiramente aberta, me aproximo e fico uns segundinhos. Assim foi feito, sem ensaio, tudo ao vivo. Foi esteticamente bonito, romântico e simples”.

A atriz também foi pioneira ao protagonizar o primeiro beijo homossexual da televisão brasileira – foi em 1963, em um dos episódios do programa TV de Vanguarda, exibido pela Tupi. A história chamava-se “Calúnia” e as atrizes viviam diretoras de um internato feminino, que foram acusadas de serem amantes.

Ao final da história, elas descobriram que realmente se amavam e, no último capítulo, trocaram um beijo. Vida contava que, dessa vez, a cena foi recebida sem discriminação.

Vida Alves, nos últimos anos, presidia o Museu da Televisão, que tem o objetivo de preservar a memória dos pioneiros, buscando e restaurando imagens antigas.