A atriz tinha 93 anos.

São Paulo – Morreu aos 93 anos, a atriz e escritora Lélia Abramo, em conseqüência de uma embolia pulmonar, por volta das 20h30 de sexta-feira. Ela estava internada havia uma semana na UTI do Hospital Modelo, no bairro da Liberdade, em São Paulo. Sua última aparição pública foi no dia 31 de março passado, durante um evento internacional de educação, onde foi homenageada por sua luta contra a ditadura militar. Dois dias depois, sofreu a embolia e foi internada pela família. O velório da atriz foi no Teatro Municipal, centro da cidade e o enterro no cemitério Getsemani, bairro do Morumbi, às 16h. Lélia Abramo era filha de imigrantes italianos. Estreou nos palcos apenas aos 47 anos, na peça “Eles Não Usam Black-Tie” (58), a primeira montagem de Gianfrancesco Guarnieri, com os atores Milton Gonçalves e Eugenio Kusnet. Entre 1938 e 1950, morou na Itália e sofreu as agruras da época da Segunda Guerra Mundial, quando testemunhou bombardeios, comida racionada, suspensão da liberdade de ir-e-vir. Atuou em peças de cunho dramático e trágico, de Aristófanes (“Lisístrata”) e Shakespeare (“Ricardo 3.º”) a Lorca (“Yerma”) e Brecht (“Mãe Coragem”), passando por Beckett (“Esperando Godot”) e Ionesco (“Os Rinocerontes”). Também participou de 27 novelas (Excelsior, Tupi, Record, Globo e Manchete) e 14 filmes. Fez mais de 40 teleteatros. Em 1978, Lélia presidiu o sindicato dos artistas em São Paulo e enfrentou a emissora na qual trabalhava, a TV Globo. Lélia foi uma das fundadoras do PT, ao assinar a ata de reunião que deu origem ao partido, em 1980, com intelectuais como Mário Pedrosa, Sérgio Buarque de Holanda, Apolônio de Carvalho, Paulo Freire e Antonio Candido. Em 1982, foi vice-candidata ao governo paulista, na primeira eleição da qual participou o atual presidente Lula, que à época candidatou-se a governador. A atriz tinha seis irmãos, entre eles o jornalista Cláudio Abramo (1923-87) e o artista plástico Lívio Abramo (1903-1992).