Morreu domingo, em Trancoso, na Bahia, o diretor Gustavo Dahl. Vítima de enfarte fulminante, o diretor de “O Bravo Guerreiro” e “Uirá, Um Índio em Busca de Deus”, tinha 73 anos. Dahl nasceu em Buenos Aires, na Argentina, passou parte da infância em Montevidéu e, em 1947, mudou-se com a família para São Paulo.

Tornou-se um dos grandes formuladores da política cinematográfica no País, sendo considerado um dos “estrategistas do Cinema Novo”. Desde jovem, Dahl tinha a vocação para a política cinematográfica. Era, do grupo dos cinemanovistas, quem melhor articulava as estratégias de divulgação do novo cinema brasileiro pelo mundo. Dahl entendia, com lucidez, que a divulgação dos filmes no Brasil passava pela sua exposição no circuito internacional de festivais. Jogava, assim, com uma característica da mentalidade nacional: apenas a repercussão externa dá credibilidade à produção local.

A turma do futuro Cinema Novo ele já conhecera quando fora estudar na Itália, no Centro Sperimentale di Cinematografia, em Roma, onde fez amizade com outro estudante, Paulo César Saraceni. Frequentava um grupo do qual faziam parte Bernardo Bertolucci, Marco Bellocchio e Gianni Amico. De volta ao Brasil, radicou-se no Rio de Janeiro e iniciou-se, na parte prática do cinema, pela mesa de edição – montou, entre outros, “A Grande Cidade”, longa-metragem de Cacá Diegues. Em paralelo a essa atividade prática, mantinha a atividade de crítico e ensaísta de cinema, colaborando em várias publicações, inclusive o Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo.

Em 1968 dirigiu seu primeiro longa, “O Bravo Guerreiro” que, como outras produções do período, como “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, e “O Desafio”, de Saraceni, debruça-se sobre a realidade política do Brasil, vivendo os primeiros anos da ditadura militar imposta com o golpe de 1964. Em “Uirá” (1972), volta-se para a questão indígena através da história de um personagem real e de sua saga, ocorrida em 1939, durante o governo Vargas. É uma análise aguda sobre as dificuldades de convivência da cultura indígena com a civilização dos homens brancos. “Tensão no Rio” (1982) é a sua volta ao cinema diretamente político.

Depois de “Uirá”, Dahl imprime uma guinada em sua carreira, dedicando-se à tarefa de gestor público. Convidado por Roberto Farias, então presidente da Embrafilme, assume a direção comercial da empresa. Sob sua gestão, a Embrafilme torna-se a segunda maior distribuidora do País. Preside a Associação Brasileira de Cineastas e ocupa vários cargos na política cinematográfica, como a Presidência do Congresso Brasileiro de Cinema. Em 2001, torna-se o primeiro presidente da recém-criada Ancine (Agência Brasileira de Cinema). Atualmente, Dahl era gerente do CTAV (Centro Técnico Audiovisual, do MinC). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.