São Paulo (AE) – Comemorando seus dez anos de existência, a Mostra de Cinema de Tiradentes põe em foco o tema A Vitalidade do Cinema Brasileiro, refletindo sobre a última década de realizações do cinema no País. O evento começa hoje na cidade histórica de Minas e se estende até o dia 27, apresentando número recorde de 219 trabalhos, dos quais 26 longas-metragens, 59 curtas e 134 vídeos.

O problema da Mostra de Tiradentes, como os outros festivais de cinema do País, é encontrar um espaço e um diferencial em meio ao calendário já saturado. De fato, o Brasil já conta com mais de uma centena de festivais de cinema, alguns consolidados, como os tradicionais de Gramado e Brasília, outros que ainda lutam por alguma visibilidade no âmbito nacional.

Tiradentes tem encontrado esse diferencial na boa curadoria teórica. Transforma a cidade numa festa do cinema, mobilizando a população e muita gente que vem de fora para ver os filmes e os artistas neles envolvidos. Mas não se esquece da parte reflexiva e de sua importância para o desenvolvimento dessa arte. Assim, desde o ano passado, vem promovendo, com sucesso, a discussão dos filmes entre o público, o diretor e um crítico convidado. São debates muito enriquecedores. Entre os filmes que serão objeto desse debate estão Querô, O cheiro do ralo, Cartola, Batismo de sangue e Proibido proibir, entre outros.

Para este ano, além desses debates filme a filme, será realizado o 8.º Seminário do Cinema Brasileiro – Idéias e Perspectivas, com a participação de nomes como Ivana Bentes (UFRJ), Cláudia Mesquita (UFSC), César Guimarães (UFMG) e Ismail Xavier (USP), além de críticos de cinema como Inácio Araújo, Amir Labaki, Filipe Furtado e Luiz Carlos Merten (este do jornal O Estado de S. Paulo). Eles irão debater temas como Recorrências Estéticas no cinema mais recente e as Questões da Representação, em especial nos filmes que elegem por tema os abismos sociais brasileiros e seus subprodutos como a incontrolável violência urbana.

Os longas que serão apresentados foram dispostos em unidades temáticas como Olhares para a Juventude, reunindo filmes como Antônia, de Tata Amaral, Proibido proibir, de Jorge Durán, Jardim Ângela, de Evaldo Mocarzel, e Querô, de Carlos Cortez. Outro segmento é Identidade Musical, com Cartola, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, ?Noel, o Poeta da Vila?, de Ricardo van Steen, e Fabricando Tom Zé, de Décio Motta Júnior. Cinema em Questão traz um inédito, O quadrado de Joana, de Tiago Matta Machado, além de Conceição – autor bom é autor morto?, longa coletivo dos alunos da Universidade Federal Fluminense.

Como o festival pretende refletir sobre os 10 últimos anos de produção nacional, fez uma pesquisa ouvindo 41 críticos e pesquisadores do País para apontar os títulos mais significativos do período.