André Bernardo

Quando fez testes para a novela Floribella, da Band, a atriz Úrsula Corona ouviu do diretor Sacha que ela sorria com os olhos. O elogio, admite a moça, procede. Afinal, depois de um longo e tenebroso inverno, que incluiu o adoecimento da mãe e a falta de perspectivas profissionais, ela voltava a fazer testes para uma novela. E o papel, assegura ela, não podia ser melhor. Graças à sorridente Tati, uma das backing vocals de Flor, personagem de Juliana Silveira em Floribella, Úrsula tem a oportunidade de juntar três paixões numa só: na novela, além de atuar, ela também canta e dança. Às vezes, fica até difícil saber do que eu gosto mais. É o prazer elevado ao cubo. Acho que é por isso que a Tati está rindo tanto na novela…, brinca ela, esboçando um de seus sorrisos luminosos.

A alegria da atriz em voltar a atuar era tanta que ela sequer parou para pensar que dispunha de poucas informações para compor a personagem. Na dúvida, pediu ajuda a Vic Amor Militello, que interpreta a governanta Helga Beethoven na novelinha da Band. Experiente, a atriz limitou-se a pedir que Úrsula trabalhasse com o que ela tinha em mãos. "A Tati é uma pessoa muito pura. E pureza é uma coisa sempre difícil de ser demonstrada. Por isso, seja você mesma! Só assim, vai conseguir cativar o público…", lembra Úrsula, reproduzindo as palavras da companheira de elenco. O conselho parece ter dado resultado. Na primeira semana de Floribella, um grupo de crianças que passeava num shopping do Rio saudou a atriz aos berros: ?Olha lá, gente, a zen do grupo!? Nos dias de hoje, você tem de ser um pouco zen mesmo senão pira, observa.

Não demorou muito para que Úrsula começasse a dar sugestões para Patrícia Moretzsohn, a autora responsável pela adaptação da trama argentina Floriscienta. Uma delas foi incorporar à personagem um antigo hábito da atriz: o de andar de skate. Raramente eu pegava ônibus ou táxi para ir aos lugares. Skate sempre foi o meu meio de transporte favorito, garante. Mas Úrsula não se contentou apenas em emprestar algumas de suas características para Tati. Ela garante que, apesar do pouco tempo de convivência, já tomou emprestado também o jeito tranqüilo da personagem. Não por acaso, um dos bordões de Tati é Ah, curte isso…. "Não dá para levar a vida muito a sério mesmo. Se quebrar a cabeça toda hora que alguém fecha você no trânsito, está perdido", exemplifica a atriz.

 Aos 22 anos, Úrsula Corona sabe do que está falando. Houve um tempo em que ela quase quebrou a cabeça ao descobrir que a mãe, a bailarina Diva Corona, sofria de câncer. Na época, a atriz vivia um momento profissional bastante promissor. Depois de estrear no especial infantil Nave Mágica, o último dirigido por Augusto César Vanucci, e participar do episódio Achados e Perdidos, do Você Decide, foi convidada a integrar o elenco de sua primeira novela, História de Amor, de Manoel Carlos. "Quando minha mãe adoeceu, não tive quem me acompanhasse às gravações. A barra ficou pesadíssima", lembra.

 Quase uma década depois, Úrsula ainda se emociona ao falar do assunto. "Minha mãe ainda tem um bloqueio muito sério. Raramente a gente conversa sobre o que aconteceu", lamenta. Com a mãe aparentemente recuperada da doença, Úrsula tornou a investir na profissão.