No dia 2 de agosto de 1955, o mundo pareceu realmente menor para os cariocas. Naquela data, a Varig, então maior companhia aérea brasileira, inaugurou uma nova rota entre o Rio e Nova York, utilizando sua nova aquisição, o Super Constellation G, a aeronave mais moderna que havia no mercado naquele momento. Com isso, o tempo de voo foi reduzido de 72 horas para cerca de 20 horas.

“Isso também permitiu um maior intercâmbio cultural entre o Brasil e os Estados Unidos”, comenta Jarbas Homem de Mello, ator que até recentemente era o protagonista de Chaplin – O Musical e que agora assina a direção de Constellation – Uma Viagem Musical pelos Anos 50, que estreia neste domingo, 2, quando justamente se completam 60 anos do voo inaugural.

Escrito por Cláudio Magnavita, o musical é ambientado no bairro de Copacabana, em 1955, época de ouro pois o Rio encantava celebridades internacionais e lançava modismos que se espalhavam pelo País. “É um momento em que o bairro começa a atrair mais moradores, gerando um boom imobiliário”, conta Jarbas. “Foi uma época de muito romantismo, Copacabana vivia seu apogeu, as pessoas se arrumavam mesmo para ficarem em casa.”

A história acompanha a jovem Regina Lúcia (interpretada por Jullie, participante do programa The Voice) que, como várias outras, sonha com a possibilidade de ganhar uma passagem para Nova York no primeiro voo do Super Constellation G. Ela participa de um concurso promovido pela Rádio Nacional, cuja final acontecerá no Golden Room Copacabana Palace. Regina Lúcia vive com a mãe (Lovie Elizabeth), que está separada do marido, e a tia Maria da Penha (Andréa Veiga) em um quarto e sala localizado no famoso bairro.

“A menina sonha conhecer o mundo, enquanto a mãe se sacrifica para ter um apartamento em Copa. São dois momentos distintos vividos pelas pessoas naquela época. E a escolha dos passageiros que fariam parte das primeiras viagens foi feita por Jorginho Guinle, nome destacado da alta sociedade do momento”, conta Jarbas. “Assim, celebridades como a miss Brasil Martha Rocha foi uma das convidadas, enquanto que o voo de volta trouxe artistas como a atriz Lauren Bacall.”

Os anos 1950 foram marcados por grandes avanços científicos e tecnológicos, que mudaram o comportamento da sociedade. A televisão, por exemplo, chegou em 1950 e, aos poucos, modificou a formato da comunicação em larga escala.

“A chegada do Constellation permitiu que a alta sociedade frequentasse a Big Apple e isso trouxe uma grande influência musical. Ao mesmo tempo, Copacabana viu seus imóveis diminuírem de tamanho e serem ocupados por jovens sonhadoras pela american way of life”, observa o produtor Frederico Reder. Para ilustrar isso, foram escolhidas 16 músicas clássicas do cancioneiro americano, como Blue Moon (Richard Rodgers/Lorenz Hart), Only You (A. Rand/Buck Ram), Stand By Me (B. King/J. Leiber / M. Stoller) e Unforgettable (I. Gordon), todas interpretadas em inglês. “Nunca pensamos em fazer uma versão das letras para o português pois são canções que têm um apelo muito grande e não seria recomendável adaptar”, diz o diretor, que cuidou dos detalhes da reconstituição da época.

A cenografia de Natalia Lana e os figurinos de Patrícia Muniz buscam reproduzir o colorido e o glamour dos anos 1950. Já a coreografia, assinada por Vanessa Guillen, buscou um meio-termo entre o antigo e o moderno. “Não podíamos ter apenas passos típicos daquela fase, mas também não era possível utilizar somente uma coreografia moderna”, comenta Jarbas. “A solução foi promover uma mistura entre os dois estilos, sem que nenhum descaracterizasse o outro.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.