Bonecos “engraçadinhos” tratando temas sérios do cotidiano. O que pode parecer incoerente para muitos é o grande mote do musical Avenida Q, versão brasileira do espetáculo Avenue Q, da Broadway, em Nova York.

O musical, que mistura os bonecos com atores de verdade no palco, conta a história do jovem Princeton, recém formado que se muda para a capital do mundo e não tem dinheiro para nada.

O único lugar que consegue uma casa é na Avenida Q, reduto de ex-celebridades, orientais ranzinzas, tarados virtuais, gays, artistas frustados e até ursinhos de pelúcia maléficos. O espetáculo será apresentado hoje e amanhã em Curitiba.

O fato de existir bonecos não significa que o espetáculo seja infantil. Eles se tornam ferramentas para falar de assuntos complicados, como o preconceito e a homossexualidade.

“Os bonecos funcionam como filtros na hora de tratar assuntos difíceis, duros. Os bonecos permitem uma liberdade maior para falar de assuntos tão sérios como estes”, comenta a atriz Marilice Cosenza, que dá vida às personagens Lucy De Vassa e Kate Monstra. O espetáculo mostra ao público que diferentes pessoas, com pensamentos diferentes, podem conviver pacificamente.

A adaptação brasileira do musical foi realizada primeiramente Charles Möeller e Cláudio Botelho, e agora por Christina Trevisan. O espetáculo recebeu, em 2009, cinco indicações ao Prêmio Shell (melhor direção, atuação feminina, atuação masculina, iluminação e categoria especial pela versão da trilha sonora). Também venceu o Prêmio Contigo de melhor musical.

“Fazer musical da Broadway é uma experiência muito importante. Eu faço musicais há 16 anos, mas fazer algo da franquia Broadway exige muito mais de você. É preciso manter a qualidade e ao mesmo tempo colocar o jeito brasileiro”, explica Cosenza.

Sobre a mistura em cena de atores “de carne e osso” e bonecos, a atriz afirma que o público logo se esquece de quem está por trás e passa a ver somente os bonecos em cena. Ela ainda possui um desafio maior: manipula e interpreta duas personagens com personalidades e vozes bem diferentes.

“Eu manipulo dois bonecos e há cenas em que as duas personagens contracenam juntas. Tem que estar muito concentrado, dentro dos personagens, para que o público não veja diferença”, esclarece Cosenza.

O musical Avenida Q já passou por diversas cidades brasileiras. Depois de Curitiba, o espetáculo terá uma temporada no Rio de Janeiro. Mais sobre a história, as personagens e os atores no site www.avenidaq.com.br.

Serviço

Musical Avenida Q. Hoje, às 21h e amanhã, às 18h, no Teatro Positivo -Grande Auditório (Rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300, Campo Comprido). Ingressos a R$ 88,00 (inteira). Vendas na bilheteria do teatro e Disk Ingressos (3315-0808, site www.diskingressos.com.br ou quiosques nos shoppings Mueller, Estação, Curitiba e Total).